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domingo, 31 de janeiro de 2010

Estrada Real: Primeiros dias. (resumido)

Expedição Foz, Estrada Real e Belo Horizonte

Parte 8


Marco da Estrada Real - Paraty/RJ


Primeiros metros pelo Caminho Velho - Paraty/RJ

Em Paraty começamos uma longa jornada pela histórica Estrada Real, antigo caminho utilizado pela Coroa Portuguesa para levar o ouro das Minas Gerais até os portos do Rio de Janeiro, de onde seguiam à Europa. Existem alguns caminhos na ER. Decidimos fazer o Caminho Velho, de Paraty à Ouro Preto e o dos Diamantes, de Ouro Preto até Diamantina. Bandeirantes, tropeiros e escravos eram os personagens mais comuns por essas estradas.

Estamos em nosso sétimo dia pela Estrada Real e com certeza é mais do que uma viagem, é uma volta ao passado. É aventurar-se por caminhos que fazem parte de um dos períodos mais marcantes e significativos para a História brasileira. Não está sendo fácil pedalar com a bike carregada em estrada de terra, maioria na ER. Mas estamos avançando.

No primeiro dia de viagem no Caminho Velho, decobrimos os vários marcos que sinalizam o caminho da Estrada Real e contém informações sobre o local, distância, altimetria e doses de história. Esses marcos são de extrema importância para nossa localização. Em alguns trechos sua ausência nos deixa incertos para onde seguir, recomenda-se perguntar a mais próxima alma viva, caso contrário, siga seu instinto.

De Paraty a Cunha foram 53 km's, aparentemente pouca quilômetragem, mas fôra programada em razão da extensa subida na Serra da Bocaína, onde sua ascensão vai do nível do mar aos 1400m de altitude. Mais de 20 km's de subida, metade em estrada de terra. Muitas pessoas em Paraty nos informaram que alguns trechos seria necessário empurrar a bicicleta por causa do péssimo estado da estrada. A subida no asfalto realmente é muito ingreme. Tivemos sorte que o tempo estava nublado e o desgaste não foi maior. Nossa primeira experiência na estrada de terra é aventura total. Para os companheiros de trilha, basta imaginar uma das piores subidas que você já fez, agora multiplique por dois e acrescente carga na magrela. Pois é, o negócio é pedalar na relação mais leve e avançar aos poucos. Tem que ter muita prática para não cair. Pedras soltas e barro fazem parte do caminho.

Conforme vamos subindo, começamos a pedalar entre as nuvens e não demorou pra estarmos literalmente dentro delas. Também não demora pra começar a chover. Infelizmente no topo não conseguimos visualizar a baía de Paraty por causa do mau tempo. Mas a sensação de conquistar os 1400m naquelas condições, sem empurrar a bike foi de mais uma vitória. Logo chegamos a divisa de RJ/SP, sim, volta-se para São Paulo antes de ingressar em Minas Gerais. Em Cunha/SP ficamos em uma pensão antes de seguir no dia seguinte.



Serra da Bocaína, ao fundo a baia de Paraty


Primeiro trecho com estrada de terra pela E.R

Serra da Bocaína, neblina, chuva e muita lama.


No roteiro nosso destino era avançar até Guaratinguetá, mas na cidade apenas almoçamos antes de seguir para a Vila do Embaú, região de Cruzeiro, antes passamos pela cidade de Lorena e na saída do município ingressamos na Estrada Real no caminho existente ao lado da USP. que por sua vez fica paralela a rodovia. Depois a estrada é tranquila, sem muitas subidas e toda de terra, muita natureza e a companhia do rio Paraíba. Escureceu e estávamos na estrada, próximos a Cruzeiro, sem vestígio de camping ou pousada. O jeito foi pedir uma área para acampar nos sítios ao lado da estrada. A idéia deu certo. Conseguimos um lugar ao lado de um pequeno rio que nos proporcionou um dos melhores acampamentos até agora. E sem nenhum custo.


Acampamento no sítio - Região de Cruzeiro/SP

Na manhã seguinte, destino; Estado de Minas Gerais, mas enfrentamos uma das piores subidas, a da Garganta do Embaú, além da estrada de terra, apareceu trilha no caminho e conforme avançávamos ficava humanamente impossível subir pedalando, por cerca de dois quilômetros fomos empurrando no meio da mata fechada e do barro até seguir ao Túnel da Mantiqueira, divisa de SP/MG, lugar histórico da Revolução Constitucionalista de 1932. Quase 1 km dentro do túnel na escuridão.


Guilherme. Garganta do Embaú: mata fechada e muita lama


Topo da Garganta do Embaú - Vale do Paraíba ao fundo


Estado de São Paulo, após o túnel Minas Gerais


Túnel de 1884, divisa entre São Paulo e Minas Gerais.

E assim vamos avançando, tem muita história pra contar, mas em razão do pouco tempo na lan, não posso relatar por completo. Mas vale mencionar que a paisagem é incrível na maior parte do trajeto, são várias espécies de pássaros, entre eles, canários e tucanos que encontram-se na estrada e nas matas, essas por sua vez vão se modificando, as serras são as mais diversas, Serra do Mar, da Mantiqueira, Bocaína, entre outras. Montanha não falta. Agora estamos no cerrado e a paisagem é outra, não menos montanhosa.


Canário da terra - Baependi/MG


Tucano - Região de Carrancas/MG

Gavião Carcara [ Caracara plancus ] - Região de Cruzília/MG

Em alguns lugares os marcos da Estrada Real não existem e fica fácil se perder do caminho original. Aconteceu de São Lourenço até Caxambu em MG. quando tivemos que ir pelo asfalto, uma opção que aumentou a distância prevista. Infelizmente até os próprios moradores desconhecem os caminhos. Não existe opção e na dúvida o jeito é perguntar direto.

Pelos caminhos do século XVII, XVIII e XIX, vamos encontramos construções da época, histórias e vestígios que o tempo não consegue apagar.


Fazenda Traituba tem sua origem ligada à construção da casa-sede entre 1826 e 1831 para hospedar o Imperador D. Pedro I em passagem pelo Sul de Minas.

Nossa alimentação tem sido basicamente mais reforçada no almoço e macarrão instantâneo na janta. As vezes quando aparece café da manhã, aproveitamos. Temos saído pra pedalar muito tarde. Isso está atrapalhando o horário de comer. Mas nosso estilo de pedal está tranquilo, não muito, pois mesmo fazendo 80 km's diários, levamos quase o dia todo para concluir.


Carrancas ao fundo, altitude em meio ao cerrado.

Cerrado, direção à Capela do Saco, balsa para Caquende.


Um dos vários tipos de terreno na Estrada Real.

Agora estamos em São João del Rei, onde chegamos ontem, 30/01, ficaremos um dia na cidade para conhecer suas atrações e depois seguimos para Ouro Preto, onde devemos chegar na quarta-feira. Lá ficaremos na casa do Philip, um amigo cicloturista. Aqui não consegui postar as fotos, vou tentar fazer isso em Ouro Preto.

Obrigado aos que desejam boa viagem.

Abraços

Hasta!

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2ª etapa finalizada! Sâo Paulo x Rio de Janeiro.

Expedição Foz, Estrada Real e Belo Horizonte

Parte 7

Chegamos em Paraty no Rio de Janeiro dia 22/01, após 467 km's a partir de Limeira/SP onde passamos na casa do Estêvão que integrou a equipe. Foram três dias para finalizar a segunda etapa da Expedição, a mais curta das seis etapas, contudo, não menos fácil.

Saimos de Limeira às 6:30 da manhã e começamos a jornada até o litoral paulista para então seguir à Paraty/RJ. No estado de São Paulo pedalamos pelas principais rodovias do estado. Antes de Limeira, percorremos um bom trecho na Castelo Branco e Washington Luiz. Agora estávamos na Anhanguera, D. Pedro I, Carvalho Pinto e finalmente a Rodovia dos Tamaios. A malha rodoviária de São Paulo em sua maioria é muito boa, principalmente àquelas que ligam a capital. Neste sentido, não tivemos problemas com a condição da estrada. Muito boa, sempre com acostamento e com subidas e descidas sem maiores dificuldades.


Com tantas rodovias no estado de SP, era melhor verificar se estávamos na direção certa.


Em direção à Rodovia D. Pedro I.


Camarada Estevão que conhece muito bem a região.


Eu. Últimos quilômetros na Rodovia Anhanguera, região de Campinas.

No primeiro dia na companhia do camarada Estêvão chegamos em Igaratá onde montamos acampamento em um posto de combustível, fechamos o dia com 184 km's. Estêvão teve dois pneus furados. No dia seguinte o pedal começou a ter um visual diferente, com a presença da Mata Atlântica, muita serra e as subidas ficaram mais fortes.


Primeiros sinais da Mata Atlântica entre Atibaia e Igaratá


Rodovia Carvalho Pinto - SP 070


Em direção à Rodovia dos Tamoios


Nosso sagrado café da manhã, bolacha recheada.


Túneis pelo caminho da SP 070

Na Tamoios, nos falaram que nenhum ciclista costuma fazer o trecho até Caraguatatuba, litoral norte. Isso porque a estrada não possui acostamento e o fluxo de veículos é grande. Como o roteiro era esse não mudamos e seguimos em frente. Afinal, rodovia sem acostamento não é novidade pra gente. E pra falar a verdade, não foi muito assustador. Em alguns trechos até existe um pequeno espaço pra pedalar. O que dificultou o avanço foram as inúmeras subidas do trajeto. Muitas quedas de barreiras foram visualizadas. Um cenário não muito raro pelos quilômetros a frente.

Cada um vem pedalando em seu ritmo, aquele que vai mais a frente faz paradas pra reunir a equipe e posteriormente seguir. Chegando em Caraguatatuba, uma serra pra descer. Maravilha! Foram 13 km's alucinantes, um visual deslumbrante do mar e adrenalina pura no pedal. Na minha estadia na cidade em 2008 quando fiz Curitiba x Rio, fiquei em um camping, onde retornei dessa vez. Não foi difícil localizar. Foi complicado montar acampamento na chuva, nada agradável após 142 km's. Aliás, final da tarde tem chovido muito, mas amanhece com tempo bom, ainda bem.


No alto da serra antes de chegar no litoral paulista


Descida alucinante da serra. Tempo fechado.


Visão de Caraguatatuba.


Após treze quilômetros de descida, chegamos.


Amanhace o dia em Caraguatatuba.

De Caraguatatuba até Paraty, fizemos o trajeto na BR 101, também já conhecido por mim. As subidas não eram novidades, mas exigem muita paciência. E a paisagem nunca é a mesma, pra minha sorte, que tenho a oportunidade de contemplar a natureza de outros ângulos. E pedalar ao lado do mar é um privilégio para poucos.


Quedas de barreira, comum na região litorânea nesta época.


Pedalando na Rodovia Rio-Santos com esse visual maravilhoso. Ubatuba/SP.


BR 101 - Infinita Highway -

Mais uma fronteira, SP/RJ, outra vez faço registro fotográfico do momento e sigo para o destino do dia, a inesquecível cidade de Paraty, onde chegamos por volta das 18 horas, na entrada da cidade a chuva volta a cair. Paramos no centro de informações e aguardamos para seguir ao Camping Jabaquara, onde já havia acampado em 2008. Era uma sexta-feira e nosso objetivo era sair no domingo cedo. Assim, tínhamos o sábado para conhecer lugares não visitados da outra vez.


A segunda divisa de estados da viagem.


Registrando o momento.


Primeiro Marco da Estrada Real - Paraty/RJ


Camping Jabaquara


Centro histórico de Paraty

Resolvemos fazer o passeio de escuna. Foram seis horas no mar, passando por ilhas e praias maravilhosas, em algumas foram feitas paradas para mergulho e banho de mar. Uma delícia. Almoçamos na escuna. E tudo saiu por 34 reais para cada um. Não muito caro se comparado a incrivel sensação de mergulhar em águas quentes e transparentes.


Cais de Paraty, escolha de uma escuna para fazer o passeio pelo mar.


Preenchendo os dados na escuna "O Navegante".


Distanciando-se de Paraty, igreja Santa Rita ao fundo.


Uma escuna bem interessante.


Ilha do Amyr Klink, passamos ao lado.


Ilha Comprida, aquário natural de Paraty


Mergulho, porque uma viagem de cicloturismo não é apenas pedalar.


Praia Saco da Velha


Capitão Neto!


Escuna "O Navegante"


Praia Saco da Velha, um paraíso. Água quente, transparente, perfeito pra tomar um banho de mar.


Uma das 65 ilhas de Paraty


Parando para mais um mergulho.


Praia Vermelha


O capitão de verdade.

No centro histórico de Paraty, conhecemos mais sobre sua história, sobretudo, a ligação com a Estrada Real, nosso destino. No camping, fomos contemplados, a adm. nos cedeu um dia por conta da casa em razão da nossa viagem. Não recusamos e ficamos domingo. Nisso o Leandro, amigo do Rio de Janeiro, chegou na cidade na companhia do Pablo, claro, vieram de bike da capital. Reunimos toda a galera e passeamos pela cidade.


Igreja de Santa Rita. Datada de 1722. Detalhe para a estátua viva, segundo a mesma, a primeira a encenar um escravo no Brasil.


Em detalhe o sino da Igreja Santa Rita.


Detalhe para a fechadura da igreja.


O ouro, naquela época sem valor no Brasil, era trocado por cada pedra do calçamento, trazida pelos europeus.


Mercado Negreiro


Antigo mercado de escravos.


Embora não seja fácil pedalar por essas pedras, a bicicleta é muito utilizada na cidade.


Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios.


Igreja Matriz e as charretes que levam turistas por um passeio pelo centro histórico da cidade.


Igreja Matriz vista do Morro Pontal do Forte que dá acesso ao Forte do Defensor Perpétuo


Paraty vista do Morro Pontal do Forte.


Entrada para o Forte do Defensor Perpétuo


"Localizado no alto do Morro Pontal do Forte, entre as praias de jabaquara e do Pontal, o prédio, que mais se assemelha a uma casa residencial do século XVIII, foi construído em 1702 e totalmente remodelado em 1822. Dentre as sete fortificações que defendiam o tráfego marinho, principalmente durante o ciclo do ouro, somente esta restou. Atualmente abriga o Centro de Artes e Tradições Populares. O local possui algumas características de extrema importância histórica, como a prisão dos homens e mulheres e a Casa de Pólvora, com raro sistema de ventilação."


Forte do Defensor Perpétuo


Resquícios do antigo Forte do Defensor Perpétuo.


Detalhe para a marcação no canhão.


Almoço com os amigos do pedal. Eu, Leandro, Estevão e Guilherme


Grande camarada Leandro


Guilherme, Leandro, Estevão e Pablo no centro histórico.


Chafariz Pedreira, datado do século XIX.

Na segunda-feira, dia 25 , acordamos não muito cedo e desmontamos acampamento em direção à nosso primeiro dia na Estrada Real. Antes fizemos uma pausa na padaria pra comer algo. Saimos de Paraty já era 10:30, muito tarde pra quem tinha um paredão (Serra da Bocaína) pela frente. Contudo, outra vez, a cidade deixara saudades. E um convite para um novo retorno.

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