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sábado, 9 de janeiro de 2010

Curitiba x Rio – Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro

Após passarmos um belo natal na casa do Aramis e conhecer melhor o litoral do Paraná e os pontos turísticos de Curitiba, estava na hora de começar a viagem. Assim, dia 26 de dezembro, estávamos preparados para nos aventurar mais uma vez pelas estradas. Não eram seis horas da manhã quando nos despedimos da mãe do Aramis e nos direcionamos para a saída da cidade.

26/12/2008 - 05h:50m saída da casa do Aramis em Curitiba.

Seguindo o roteiro, pegamos a BR 116, em direção ao Estado de São Paulo, a estrada bastante conhecida já foi apelidada de Rodovia da Morte, em razão dos vários acidentes ocorridos nos diversos trechos complicados pelo caminho. Contudo, após a sua duplicação, a realidade da estrada é outra, muito mais segura, embora, alguns acidentes ainda acontecem, principalmente, na região de Serra.

Eu e o Daniel pedalando no acostamento perfeito da BR 116

Nosso primeiro dia de pedal é tranqüilo, tempo oscilando entre aberto e nublado, estrada em perfeitas condições, com acostamento no mesmo estado, um verdadeiro tapete. Passamos pela entrada da famosa Estrada da Graciosa, sem tempo para conhece-la, seguimos viagem. Pegamos um bom trecho de Serra do Mar, o que proporcionou por muito tempo, paisagens maravilhosas, mas o terreno montanhoso também exigiu bastante preparo físico para concluir os vários trechos de subida.

Chegando na entrada da Graciosa/PR

Entrada da Estrada da Graciosa.

Aramis e Daniel

Represa no caminho para Jacupiranga/SP.

Em direção ao Estado de São Paulo na BR 116.

Em companhia das montanhas, chegamos a divisa de Paraná e São Paulo, pela primeira vez estava praticando cicloturismo em outro estado brasileiro, em minha terra natal por sinal. Era a primeira fronteira de várias que teriam pelo caminho. Estamos pedalando em grupo, mas minha bicicleta novamente carregada e pesada me faz ficar para trás em determinados trechos. No estado de São Paulo, a BR 116 denominada Régis Bittencourt continua nos oferecendo boas condições de tráfego, com segurança pedalamos pelo bom acostamento. A região montanhosa torna o sobe e desce constante, lembrando a rodovia 277.

Divisa Paraná x São Paulo.

Sem maiores dificuldades, apesar das subidas, nosso primeiro dia termina em um posto de combustível desativado na cidade de Jacupiranga, apenas um restaurante paralelo ao posto estava atendendo. Com a permissão do pessoal, montamos acampamento, nos alimentamos no estabelecimento ao lado, que por sua vez, tinha banheiro com a disponibilidade de chuveiro com água quente, Estávamos bem instalados. Noite tranqüila. Vale lembrar que antes de chegarmos em Jacupiranga, encontramos um motociclista do Piauí que estava viajando pelo país, Kennedy, o conhecido Pingüim do Cerrado, um camarada com espírito aventureiro. Encontraríamos com ele mais duas vezes pela estrada.

Subidas e descidas na Serra do Mar

Paisagem

Parque Estadual Jacupiranga - SP

Camarada Kennedy (Pinguim do Cerrado) de Tocantins que estava viajando por essas estradas do Sul / Sudeste. Acabou nos encontrando umas 3 vezes. Aqui estávamos quase chegando em Jacupiranga

Primeiro acampamento em um posto de combustível desativado em Jacupiranga

Nosso segundo dia é marcado por alguns fatores, primeiro o tempo nublado que se transformou em chuva durante o almoço. Estávamos pedalando os últimos quilômetros na Regis Bittencourt quando paramos para almoçar, o local era simples e a comida boa, mas alguma coisa não fez bem para o Daniel, que começou a passar mal logo depois que voltamos para a estrada.

Saímos da 116 e pegamos a SP 055 em direção a Pedro de Toledo e conseqüentemente litoral paulista. Uma serra se destaca na nova estrada, onde a condição do asfalto era totalmente diferente da rodovia que pedalamos no dia anterior. Pista simples e sem acostamento, com um tráfego intenso de veículos, principalmente, caminhões. Foi uma dureza completar a serra, por vários momentos, éramos forçados a sair da pista e na ausência do acostamento, a única opção era pedalar no terreno irregular de terra e pedras fora da pista.

A paisagem é maravilhosa, mas não foi fácil sair da BR 116 e entrar na SP 055 na Serra antes de Pedro de Toledo.

Subida de Serra sem acostamento e com um fluxo significativo de veículos .

Firme e forte!

Antes de completar a serra, o Daniel tem os primeiros sinais de que a comida não desceu bem, sente necessidade de parar na estrada com dor de barriga. Continuamos pedalando, mas a estrada permanece em péssimas condições. A situação do Daniel se agrava e as dores são maiores, assim que chegamos em Pedro de Toledo Aramis tem um pneu furado, troca rapidamente e fazemos uma parada na cidade para que o nosso companheiro compre algum remédio para aliviar as dores. Na estrada novamente, não pedalamos cinco quilômetros e o remédio não faz efeito e o Daniel para no acostamento se retorcendo de dor, uma situação muito preocupante.

Como ainda estávamos em Pedro de Toledo, Aramis encaminhou nosso camarada até o posto de saúde mais próximo. Fiquei parado no acostamento com a bagagem do pessoal. Esperei um bom tempo até retornarem. Acho que o Daniel tomou alguma injeção e sem condições de seguir pedalando naquele momento, resolvemos ligar para o Marco, um camarada ciclista que o Aramis conheceu no orkut e que se disponibilizara para nos hospedar em sua casa na cidade de Itanhaém, nosso destino do dia. A casa do Marco ficava a uns cinqüenta quilômetros de onde estávamos, mesmo assim, conseguiu um amigo que se prontificou a buscar o Daniel e sua bike. Assim que a carona chegou, Aramis e eu partimos de bike em um ritmo alucinante para chegarmos com tempo claro em Itanhaém.

A rodovia Padre Manoel da Nóbrega, SP 055, melhora assim que passamos pelo trevo que vai para Peruíbe, com isso conseguimos pedalar em uma velocidade maior. Com acostamento e asfalto bom é muito mais fácil manter um ritmo. E agora já estávamos na região do litoral paulista, era um ânimo a mais. Momentos antes de chegar em Itanhaém, encontramos o Marco e o Daniel que vieram nos recepcionar.

SP 055 - Rodovia Padre Manoel de Nóbrega, nas proximidades de Peruíbe, finalmente a volta do acostamento e das retas.

Chegando em Itanhaém no segundo dia de pedal .. ritmo alucinante para não chegarmos no escuro

O Daniel já estava um pouco melhor, e na casa do Marco, aproveitamos para tomar um ótimo banho, conversar bastante, comer uma pizza e descansar para o dia seguinte seguirmos viagem. Foi um prazer conhecer o Marco, uma pessoa super atenciosa, simpática, um verdadeiro camarada. Meses depois, tive a oportunidade de retribuir a hospitalidade quando esteve em minha casa em Foz.

Pizza na casa do hermano Marco. Depois dessa até o Daniel ficou melhor.

Eu, Marco, Daniel e Aramis. Itanhaém/SP.

Na cidade de Itanhaém, saindo da casa do Marco para mais um dia de pedal

O terceiro dia de viagem, começa nossa jornada pelo litoral, seguimos para Mongaguá através da ciclovia beira mar, uma excelente forma de viajar, pedalar com todo aquele visual, praia ao lado, maresia. Perfeito. Para mim era uma ocasião ainda mais especial, Mongaguá foi a primeira praia que conheci, a mãe de uma tia minha tinha casa no município e as vezes íamos passar alguns dias do verão na casa dela. Desse modo, voltar a esse local pedalando foi gratificante, principalmente porque havia muitos anos que não retornava àquela praia.

Mongaguá, e o primeiro contato com as praias ..

De Mongaguá seguimos até Praia Grande, somente por ciclovia, são vários quilômetros onde o ciclista tem a sua disposição uma área reservada para praticar em segurança seu esporte. O tempo estava extremamente nublado nas primeiras horas do dia, chuvisco é presenciado, mas não chega a chover forte. E com o avanço das horas o tempo vai melhorando. Mesmo em tais condições, notava-se um certo movimento pelas praias da região. E como não poderia ser diferente, acabamos chamando atenção por onde passávamos, não era raro parar pra tirar uma foto e já aparecer alguém perguntando sobre a viagem. Com entusiasmo respondíamos a todas as perguntas.

Quilômetros de ciclovia beira-mar em Praia Grande

Magrela Guerreira.

Que dificil pedalar assim, rs. Digo com essa paisagem, ciclovia na Praia Grande.

Praia Grande, litoral paulista, tirando uma foto com os policiais que utilizam a bike no trabalho

Seguindo viagem, passamos pela histórica cidade de São Vicente, uma dos municípios mais antigos do Brasil. Logo a frente, estamos pedalando pela orla de Santos, ao contrário de São Vicente, ainda não conhecia Santos. Por onde passei, achei um lugar interessante, mas não gostei muito das praias que não me chamaram atenção. O que se destacou foi um enorme navio que deixava o importante porto de Santos, carregado de contêineres, dava a impressão de ser produtos oriundos da China, conforme indicava o nome estampado na lataria do navio.

Ponte rumo a São Vicente/SP

Sâo Vicente/SP

Pedalando pelas ciclovias de Santos

Santos/SP

Homenagem ao ciclista em Santos

Embarcação saindo do Porto de Santos

De Santos seguimos por balsa até Guarujá, um lugar muito bonito, mas destinado para pessoas com alto poder aquisitivo. É comum verificar nas ruas da cidade, imensos prédios, mansões, carros de luxo e coisas do gênero. Não é a toa que o lugar é escolhido por muitas pessoas, a praia é extraordinária, águas quentes e de cor azulada, areia fofa e gente bonita são os principais atrativos. Aproveitamos para pegar umas ondas antes de almoçar. Logo depois seguimos um trecho na estrada até atravessarmos de balsa para Bertioga, onde fomos conhecer algumas praias e fazer um registro histórico. Não preciso mencionar que as paisagens são incríveis a natureza presente por esse ambiente é ainda mais atraente.

Primeira travessia de balsa no mar, sentido Guarujá/SP

Pelas ciclovias em Guarujá

Guarujá, um dos lugares com as praias mais bonitas do percurso que fizemos pelo litoral de SP.

Praia da Enseada - Guarujá

Praia da Enseada, lotada.

Um lugar onde vale a pena reservar alguns dias para curtir a natureza!

Mais uma travessia de Balsa, do Guarujá para Bertioga

Forte São José em Bertioga

Aproveitando a passagem para conhecer uma das praias de Bertioga

Já era tarde quando saímos de Bertioga e começamos a pedalar pela famosa rodovia Rio-Santos, uma longa reta marcou nossa passagem até finalmente chegarmos de noite na praia de Boracéia, onde encontramos um camping e montamos acampamento a beira da praia literalmente. Devidamente instalados procuramos passear na praia de noite, conversamos, descansamos e cada um foi pra sua barraca tentar dormir. Estava rolando um evento no local e com o som alto foi difícil pegar no sono.

Em direção à Rio-Santos.

Camping Beira-Mar em Boracéia

No dia seguinte, foi uma sensação diferente acordar e ver o sol nascendo no mar, Aramis e eu fomos tirar umas fotos antes de partir. Não era sempre que tínhamos a oportunidade de acordar com uma paisagem daquela. Começamos o dia bem, de Boracéia iríamos pedalar até Caraguatatuba. E no caminho encontramos muita beleza natural, mas também uma serra, talvez a mais íngreme em que eu já pedalei.

Começando mais um dia no litoral..

Praia de Boracéia - Bertioga

Durante o percurso, vamos presenciando inúmeras praias, a mais famosa delas é a de Maresias, outro lugar freqüentado por pessoas da alta sociedade, no que se refere à questões financeiras, é uma praia parecida com Guarujá, talvez menor em seu aspecto físico, mas de uma beleza sem igual. Contudo, antes de chegarmos à Maresias, enfrentamos a serra que leva o mesmo nome, tem início em Boiçucanga, que por sua vez, tem uma descida alucinante na entrada da cidade, onde atingimos marcas superiores a 70 km/h. Mas logo depois, a serra aparece e tudo fica mais difícil.

Já tinha enfrentado várias serras por essas viagens, inclusive subidas gigantescas nas montanhas dos Andes, mas nenhuma se compara a Serra de Maresias, a mais íngreme de todas, diferente da Cordilheira dos Andes, onde a estrada é em forma de caracóis para aliviar a subida, em Maresias a serra tem curvas curtas para subir. Pedalar aquele trecho exige muito preparo físico e controle psicológico para agüentar a subida sem desistir. As pernas têm que estar preparadas para girar em ritmo contínuo. Segue-se apenas na marcha mais leve e mesmo assim sem antes fazer paradas freqüentes para retomar o fôlego. A bicicleta do Daniel teve sérios problemas com raios e câmeras de ar. Teve que subir empurrando. Com muito esforço consigo chegar ao topo, de onde é possível ver toda a cidade de Maresias, inclusive a bela praia. Maravilhoso.

Topo da Serra de Maresias/SP

A descida também é espetacular, cheia de curvas, exige muita atenção e firmeza nos freios para não perder o controle da bike, lá embaixo, a sensacional praia de Maresias, repleta de condomínios luxuosos beira-mar. Na entrada da cidade, ficamos esperando o Daniel que demorou pra aparecer e quando deu sinal de vida estava totalmente morto e desanimado. Saímos em busca de uma bicicletaria para arrumar a bicicleta do gaúcho.

Maresias/SP

Procurando um lugar para almoçar em Maresias.

Ficamos um tempão parados na bicicletaria até que a bike do Daniel finalmente ficasse pronta. Depois achamos um restaurante bacana mais com um preço razoável onde aproveitamos para almoçar, cardápio típico do mar. Uma delícia.

Almoçamos e seguimos, não demorou muito e a bicicleta do Daniel já apresentava novos problemas, mais um tempo parado em um posto na saída de Maresias para trocar uma câmera furada. Estávamos totalmente atrasados. Finalmente estamos na estrada, subidas são constantes e cansativas. Mais geralmente proporcionam um visual fantástico, observa-se do alto, as praias e um horizonte infinito no Oceano. Em uma dessas subidas a bike do gaúcho quebra novamente. Extremamente cansado, ele resolve pedir carona até São Sebastião para ver se consegue finalmente arrumar a bicicleta ou segue para o Rio de Janeiro de ônibus. Uma moça que mora na beira da estrada se prontificou a leva-lo até São Sebastião, e ficamos de nos encontrar na cidade.


Litoral entre Maresias e São Sebastião


Serra do Mar


Mata Atlântica


Aramis e eu estávamos esperando o Daniel chegar depois que teve mais um pneu furado no dia em que quease tudo deu errado pra ele.


Cachoeira na Rodovia Rio-Santos antes de São Sebastião


Praia deserta


Liberdade!


Chegando em São Sebastião.

Na cidade histórica de São Sebastião, Aramis e eu pedalamos pelas ruas que nos remontavam aos tempos passados com suas construções. Avistamos Ilha Bela e voltamos para o centro da cidade procurando a saída para a BR, esperando encontrar o Daniel, que estava parado em um ponto de ônibus, aguardando nossa passagem. Segundo ele, trocou os pneus, raios e câmeras novas, pretendia finalmente seguir viagem tranqüilo. E realmente não teve maiores problemas no decorrer da expedição.

São Sebastião/SP

Centro histórico - São Sebastião/SP

Em São Sebastião, litoral Norte de São Paulo, a minha frente avistava-se Ilhabela

São Sebastião

Quase chegando em Caraguatatuba, meu pneu traseiro fura, primeira e única vez durante a viagem, rapidamente troco a câmera de ar e voltamos para a estrada. Nossa missão, procurar um camping para passar a noite, já estava escura e precisávamos fazer uma parada e descansar. Entrar em um local desconhecido de noite e procurar por um lugar indicado não é fácil, seguimos por algumas ruas escuras e desertas, parecíamos perdidos, mas logo encontramos um camping ao lado da praia.

Primeiro e último pneu furado durante a viagem.

Falta pouco..

Mais uma noite tranqüila e no dia seguinte, o quinto da viagem, voltamos a pedalar pela Serra do Mar. Nosso destino era Parati no Rio de Janeiro. Pra variar, mais um dia de subidas longas. Em Ubatuba, cruzamos novamente pelo Trópico de Capricórnio, como indicava a placa na beira da estrada. Tínhamos tido a mesma oportunidade no Chile, antes de chegarmos em Antofagasta.

Começo do dia em Caraguatatuba

Conforme vamos avançando, a rodovia cede lugar à BR 101, a Infinita Highway, conforme dizia a música dos Engenheiros do Hawaii. Encontra-se algumas cachoeiras e bicas no caminho. Em uma dessas cachoeiras, aproveitamos para nos refrescar, uma vez que o calor se tornava um obstáculo durante a viagem. Após uma imensa subida, estamos finalmente em outro Estado, chegamos ao Rio de Janeiro.

Ubatuba/SP

Ubatuba/SP - paisagem é comum no litoral

Passando pelo Trópico de Capricórnio (Ubatuba) mais uma vez, a outra foi no Chile em Janeiro de 2008.

Cachoeira de Promirim

Uma pausa para um banho na Cachoeira de Promirim, existente na beira da estrada

Últimos quilômetros da BR 101 no Estado de São Paulo

Rodovia Rio-Santos - BR 101 - (A infinita highway) - Mais uma conquista, conhecendo outro Estado pedalando.

Na divisa entre os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Faltavam poucos km's para chegar na histórica Paraty.


A chegada em Paraty foi questão de alguns quilômetros. Todos estávamos cientes da importância cultural e histórica da cidade, por isso havíamos planejado ficar um pouco mais para conhecer o local. Chegamos ainda de tarde e logo na entrada, nosso objetivo era conseguir um lugar seguro para montar acampamento. Nos deparamos com uma unidade dos Bombeiros, fomos arriscar uma estadia, mas sem sucesso seguimos pela avenida. Mais à frente um posto de combustível também não permite nossa hospedagem. Isso começou a me preocupar.

Paraty, simplesmente encantadora!

Estava viajando com pouco dinheiro, algo em torno de 600 reais. A pretensão era gastar no máximo quinze reais por dias. Mas até então, essa quantia estava sendo destinada apenas para pagar camping, uma hospedagem que estava se tornando comum durante a expedição. Se continuasse nesse ritmo, de jeito algum eu chegaria à Bahia, e não estava disposto a ficar pedindo o dinheiro reservado dos companheiros. Eis a dúvida, seguir viagem após a cidade do Rio de Janeiro ou encerrar a expedição pela cidade maravilhosa e conhece-la melhor.

Em Parati, caminhamos pelas ruas históricas. Talvez seja a cidade que mais nos remonte a um passado marcado por épocas e ciclos importantes. Durante o século XVII e XVIII, o local era utilizado pela coroa portuguesa para remessar o ouro oriundo das Minas Gerais para a Europa, sobretudo, Portugal. As ruas e muitas construções são datadas desse período. Hoje muitos desses lugares são usados por particulares que movimentam o comércio, com bares, restaurantes e lojas. Algumas construções são tombadas pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional, como a catedral que recentemente foi restaurada. Aliás, as igrejas fazem parte do acervo histórico, não são poucas as que encontramos.

Centro histórico de Paraty/RJ.

Um cantinho do sossego na praia.

Minha Magrela Guerreira e a bike do Aramis.

No camping, pertencente a família de Amyr Klink, famoso velejador que ficou conhecido após suas aventuras pelos mares. Queríamos conhece-lo, mas infelizmente não conseguimos. O local que escolhemos para ficar era enorme e havia muita gente acampada. Uma boa estrutura era visível. Nos acomodamos e deixamos as coisas nas barracas antes de caminhar de noite pelas ruas de Parati.

Acampamento montado. Camping Jabaquara - Paraty/RJ

A noite na cidade é muito agitada. O artesanato é marcante nas lojas e ruas, assim como a presença de inúmeros turistas, provenientes de vários estados e países. Por isso a cidade se prepara, principalmente, na alta temporada e proporciona alguns eventos. Felizmente, fomos privilegiados e acompanhamos alguns deles. Show de música e dança no centro. Uma pequena fanfarra ecoava uma bela sinfonia pelas ruelas da encantadora Parati. Museus e outros centros culturais não tivemos tempo de visitar, mas todo aquele contexto nos deixou extremamente satisfeitos, com vontade de permanecer um pouco mais na cidade.

Rio Perequê-açu, um visual diferente a noite.

Banda no meio da rua, sendo puxada por uma senhora já de idade, porém bem animada.

Nossa janta foi cachorro quente, barraca de vendedores ambulante é em grande quantidade, opção não falta para quem deseja saborear uma culinária diferente. Infelizmente nossos bolsos pagavam somente uma comida tradicional e simples. O Daniel parecia pouco animado e voltamos para o camping onde cada um se direcionou para sua barraca e foi dormir.

No dia seguinte, saímos cedo, mas antes de partir ainda aproveitamos pra conhecer mais a cidade e registramos toda aquela história exposta, sobretudo, por uma arquitetura que permeia séculos e mais séculos. Não poderíamos seguir viagem sem uma parada no cais, local repleto de embarcações, onde a maioria fazia passeios turísticos pela região ou levavam turistas até as praias mais próximas. Uma curiosidade para o preço, que não era muito caro. Sem tempo para nos aventurarmos pelo mar, apenas tiramos fotos e retornamos para a estrada. Parati nos deixa saudade e uma vontade de retornar.

Camping Jabaquara

Paraty/RJ

Paraty/RJ. Ao fundo Igreja de Santa Rita, datada de 1722.

Algumas ruas da cidade ficam alagadas em razão da maré.

Proteção de outros tempos..

Cais de Paraty.

Magrela Guerreia e ao fundo ancorado na ilha, um dos barcos usados nas expedições do Amyr Klink.

Na saída de Paraty, ainda passamos ao lado do rio que corta a cidade e que é cercado por casas e hotéis às suas margens. A natureza presente no decorrer de suas águas nos oferece belas paisagens. Na estrada, nosso destino era Angra dos Reis, onde deveríamos passar a virada do ano. Mais uma vez eu estaria comemorando o ano novo na estrada.

Pedalando ao lado do rio Perequê-açu que corta a cidade.

À distância entre Parati e Angra é pouca, mas a BR 101 não alivia e somos obrigados a enfrentar extensas subidas pelo caminho. Nossa sorte ainda é o magnífico visual do mar que segue paralelo à estrada na quase totalidade do percurso. Conforme avançamos, suas águas parecem com uma cor ainda mais intensa. Um brilho aos nossos olhos, com certeza.

Litoral fluminense.

Antes de chegarmos na cidade de Angra dos Reis, visualizamos à beira da rodovia, as usinas nucleares de Angra I e II. Um imenso complexo que gera energia de forma alternativa a mais utilizada no Brasil. Até então, apenas tenho conhecimento da usina pelos livros e televisão, estar diante daquela obra foi no mínimo, interessante.

Chegando à Usina nuclear de Angra.

Angra 1 e 2

Usina nuclear de Angra.

Registrando o momento.

Pouco tempo depois, estávamos na cidade de Angra, muito conhecida no Brasil, sobretudo, na parte turística. Talvez seja esse o motivo pelo qual o Aramis escolheu para passarmos a virada de ano. Mas na verdade Angra foi uma decepção pra gente. Assim que chegamos no município nos deparamos com um enorme morro, repleto de residências, não sei ao certo do que se trata, mas tudo indica que seja uma favela, pelo local de risco onde as casas são construídas. Avançamos pelas ruas da cidade e fazemos uma pausa no Corpo de Bombeiros para uma possível hospedagem em suas dependências. O pessoal presente se prontifica a nos acolher, contudo, necessitam da autorização de superiores. Negado. Com chuva, esperamos um pouco e partimos para encontrar abrigo.

Angra dos Reis, esperávamos um pouco mais da cidade. As atrações principais estão concentradas nas ilhas.

A beira-mar, avistamos uma gigantesca embarcação ancorada no porto, onde também presenciamos outros inúmeros barcos, muitos de pescadores, a pesca é uma das importantes economias do local. As residências em que somos indicados a pernoitar nos cobram um preço abusivo e quando estamos decididos a passar a noite na praia, um senhor que nos vê parados no cais, se prontifica a nos encaminhar à uma simples pousada. Na verdade um velho prédio com alguns apartamentos. O local estava em péssimas condições, mas foi onde nos acomodamos. Antes da meia noite, após estarmos instalados, seguimos para a praia, onde haveria shows e queima de fogos para celebrar o ano novo.

Litoral em Angra

Embarcações

Visual um pouco mais do alto.

Muita gente na praia para acompanhar a festa. Caminhamos entre a multidão por um bom tempo, mas logo nos cansamos e ficamos sentados, quase dormindo, esperando a virada de ano. Assim que o dia primeiro chega, uma humilde queima de fogos marca o céu de Angra dos Reis. Mas a festa continua. Para nós viajantes, nos resta retornar para o apartamento e dormir. Na manhã seguinte, enquanto saíamos da cidade, encontramos muitas pessoas pelas ruas voltando para suas casas. E talvez não acreditasse na cena que viam, ciclistas carregados pedalando a uma hora daquela em pleno ano novo. Mas era real.

Preparados para a virada do Ano.

Feliz 2009!

Voltamos bem cedo para a estrada. Angra não nos deixa nenhuma saudade. Descobrimos depois que as belezas que tanto são divulgadas se limitam as diversas ilhas que ficam no território abrangido por Angra. E para visitar tais ilhas, os barcos cobram uma fortuna, sem falar em todo o gasto para alimentação e hospedagem. Muito dinheiro que não tínhamos. A cidade propriamente dita, não nos animou pela sua estrutura urbana e um forte cheiro de esgoto nas ruas. Enfim, nos decepcionou.

Na estrada, o que marca inicialmente são as conhecidas subidas, mas logo que nos aproximamos do Rio de Janeiro aparecem retas extensas que passam por meio de povoados e distritos, onde o medo de qualquer incidente nos faz pedalar ainda mais rápido. Como de costume, estou geralmente pedalando sozinho, atrás dos companheiros. E por uma área desconhecida como essa, não é bom ficar de bobeira.

Assim de sair da BR 101, encontrei o pessoal e logo em seguida paramos para almoçar, restaurante bacana, comida boa e não muito barata, acabando com o pouco do meu dinheiro. Seguimos para Santa Cruz a fim de evitar a avenida Brasil no Rio de Janeiro. Antes de chegar na cidade maravilhosa, passamos por uma extensa área no Parque Nacional da Tijuca, em determinados trechos, estávamos isolados. Mas, logo a civilização aparece e ficamos animados com o fato de estarmos chegando no Rio. Para mim e o Daniel a expedição estava quase terminando.

No Rio de Janeiro, entramos pela região da Barra da Tijuca. Não me pergunte como, mas fomos avançando para a praia, seguindo informações dos moradores. Pra nossa sorte, estávamos na região mais bonita e segura da cidade maravilhosa. Leandro, um ciclista carioca, que o Aramis conheceu na internet, tinha se prontificado a ser nosso guia e hospedar a gente em sua casa. Quando ligamos para ele, estava retornando de São Paulo, para onde havia viajado de bicicleta. Até a sua volta, ficamos na praia, mergulhamos no mar, descansamos na areia, tiramos muitas fotos e depois ainda fomos caminhar pela orla e conhecer outras inúmeras praias.

Praia do Recreio, a primeira que avistamos na cidade do Rio de Janeiro.

Marcando presença.

Praia do Recreio - Rio de Janeiro

Detalhe para a cor da água - Praia do Recreio

Ao fundo, o Pontal - Rio de Janeiro

Pedalando pela orla, sentido à praia da Barra, já no Rio de Janeiro.

Eu e o Daniel na ciclovia em direção à Barra.

Posto 8 da Barra, lugar onde iríamos encontrar o Leandro (nosso amigo do Rio, que nos hospedou e foi também o guia pela cidade).

Praia da Barra, simplesmente a melhor praia da cidade.

Depois de um dia pedalando, nada melhor que curtir um banho de mar.

As magrelas curtindo a praia.

Praia da Barra - Rio de Janeiro - Aramis (Curtiba), Eu (Foz do Iguaçu) e o Daniel (Porto Alegre)

Praia da Barra - Rio de Janeiro

Estávamos diante de um paraíso, todo aquele cenário que conhecemos pelas novelas. Água quente de cor verde, ondas e muita gente bonita. E isso que já estava quase escurecendo. Encontramos o Leandro onde foi combinado. Depois seguimos pra sua casa, onde antes fizemos uma pausa para comer um lanche. Pedalamos alguns quilômetros da Barra até Jacarepaguá, onde o Leandro mora.

Segundo informações, alguns programas da Globo com praia, são realizadas na Praia da Barra

Fim de tarde no litoral carioca

Começo da noite na cidade maravilhosa.

Nosso guia nos levou em vários pontos turísticos. Conhecemos as praias mais famosas do Rio como Ipanema e Copacabana, embora tenha considerado a praia da Barra a melhor e mais bonita. Todo o trajeto a beira mar é realizado nas ciclovias, uma segurança a mais no trânsito complicado do Rio de Janeiro.

Segundo dia de visita, passeio para conhecer as demais praias da cidade. Aqui estávamos próximos ao morro do Joá, sentido São Conrado.

Vista do Morro do Joá.

No topo do Morro do Joá, avistando o Elevado do Joá, onde é proibido pedalar.

Praia de São Conrado

Local onde o pessoal também prática vôo livre

A galera reunida, da esquerda para a direita; Daniel, Bruno, Aramis, Leandro, Eu e o Rômulo.

São Conrado

Em direção à Copacabana. Bruno e Rômulo chegaram neste dia, por isso ainda estavam com as bikes carregadas.

Sentido Ipanema.

Uma conversa com o Carlos Drummond de Andrade. "Escultura criada pelo artista mineiro Leo Santana. Instalada em Copacabana – em frente à rua em que o poeta morou – no dia 31 de outubro de 2003 – Ano do Centenário do Poeta"

No dia seguinte ainda vamos para o Corcovado que está repleto de turistas e onde finalmente conhecemos o Cristo Redentor, uma sensação única. A vista do alto, onde está o Cristo é maravilhosa, é possível ver boa parte da cidade, várias praias, a ponte Rio-Niterói, o estádio do Maracanã e toda a beleza da região. Visual deslumbrante. Ainda tivemos a oportunidade de caminhar na Lagoa Rodrigo de Freitas, passar ao lado da favela da Rocinha e também pedalar na entrada da favela Cidade de Deus à meia noite. A CDD como é conhecida, ficava no caminho para a casa do Leandro, a única recomendação que o mesmo nos fazia, era apagar as luzes da bicicleta para não chamar atenção. Mas o que se destacava era o total silêncio.

Dia 3 de Janeiro, andando de ônibus em direção ao Corcovado, no caminho passamos pela Favela da Rocinha.

A famosa Lagoa Rodrigo de Freitas

Curtindo um passeio na Lagoa. Ao fundo o Corcovado e o Cristo Redentor.

Cristo Redentor

Estilo de Vida! (Detalhe para o Cristo ao fundo)

Parque Nacional da Tijuca.

Local para pegar o bondinho, como tinha muita gente, resolvemos subir a pé.

A Lagoa Rodrigo de Freitas do alto do Corcovado

A vista que se tem lá do Cristo, em baixo a cidade, em destaque o Jóquei Clube.

Á esquerda o famoso Pão de Açucar e a direita também lendária Praia de Copacabana.

Lá do alto é possível ver boa parte da cidade, aqui pode-se observar o Maracanã e a ponte Rio-Niterói.

Ponte Rio x Niterói, quase 14 km's de distância.

Cristo Redentor! Eis uma das Maravilhas do Mundo.

Não poderia faltar essa foto.

Histórico do monumento.

Registrando o momento para a posteridade!

A essa altura, dois outros ciclistas de Curitiba estão na casa do Leandro, Bruno e Rômulo, os dois também estão seguindo pra Bahia e agora passar a pedalar com o Aramis até Salvador. No terceiro dia na cidade, eles seguem viagem. Daniel pega o ônibus para Porto Alegre e eu vou visitar uma amiga que conheci na internet. Fico na casa do Carlos, namorado da minha amiga Carol em Ipanema, onde combino de encontra-los.

Ainda permaneço mais dois dias no Rio de Janeiro para conhecer melhor a cidade. Na companhia agradável de Carol e Carlos, conheço o Maracanã, os Arcos da Lapa, a Escadaria Selaron, Parque das Ruínas, pego carona bonde que passa em cima dos Arcos da Lapa, uma verdadeira volta ao passado. Ainda caminhamos, mesmo com chuva, pelas ruas do centro.

Eu conheci o Maracanã. Muitas histórias no maior Estádio do Mundo

Quem sabe eu não volto em 2014!?

Os famosos Arcos da Lapa.

A linha do bonde passa por cima dos Arcos.

De outro ângulo..

Mural

Escadaria da Lapa, um lugar muito interessante pra se conhecer, toda preenchida por azulejos personalizados.

Selaron, o sujeito criativo que é responsável pela colocação dos azulejos.

Quase na metade da subida..

Depois da Escadaria tivemos que subir ainda mais ..

Santa Tereza, acho que é esse o nome do morro (bairro), um dos poucos que não é favela no Rio de Janeiro.

Parque das Ruinas. Laurinda Santos Lobo, era dona do casarão que era um salão de festas.

Conforme as informações, sarau era realizado no local, sendo frequentado apenas pelos "bacanas" da época.

Vista da Central do Brasil do alto do casarão.

Ao centro, a catedral do Rio de Janeiro.

Pra retornar, pegamos o bonde, sensação de voltar ao passado.

Ir pendurado ai fora não é fácil.

Cabine de controle

Agora sentado. Apenas 0,65 centavos para um trecho de aproximadamente 1 km

Meus grandes amigos Carlos e Carol, obrigado por tudo.

No alto dos Arcos da Lapa.

Chegada na Estação Carioca, final do passeio.

Caminhando com chuva no centro do Rio de Janeiro

Instalado na casa do Carlos em Ipanema, aproveitamos para comer uma pizza na noite carioca. E no dia seguinte, caminhar pela praia, inclusive pelo Arpoador e no Leblon. Um passeio inesquecível. Na volta, ainda tenho ajuda do Carlos para levar de ônibus minha bicicleta desmontada e toda a bagagem até à rodoviária onde seguiria para Foz em uma viagem de 24 horas.

05/01/09 Último dia na cidade maravilhosa. Em Ipanema, próximo ao Arpoador.

Arpoador, separa as praias de Ipanema e Copacabana.

Arpoador - Rio de Janeiro

Praia do Diabo

Caminhando em Ipanema

Central do Brasil

Já na rodoviária, com a bike desmontada, preparado para encarar um dia inteiro de viagem na volta pra Foz do Iguaçu/PR

4 comentários:

  1. A China Shipping Container Lines é um dos armadores líderes de mercado a nível mundial, ocupando a sexta posição no ranking dos maiores armadores do mundo.E quando vier a SANTOS procure nao passar correndo,a cidade tem tantas coisa maravilhosas e outra Sao Vicente e a 1ª vila do Brasil ou seja aqui teve a 1º camara de vereadores de toda a america.Nao seja apenas ciclo!!!! boa viagem

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    1. Buenas Anônimo.

      Obrigado pela visita e observações. Em relação a China Shipping eu desconhecia tais informações. Já sobre São Vicente, enquanto professor de história, conheço sua importância. Foi minha segunda passagem pela cidade, que certamente merece uma terceira para melhor conhece-la.

      Sobre Santos, acredito que tenhas razão, mas infelizmente nosso tempo na época da viagem era pouco e a quilometragem para chegar ao destino era alta, por isso, não foi possível conhecer melhor cada trecho. Mas agradeço pela dica. Aliás, seria interessante que você nos recomendasse alguns desses lugares. Devo passar pelo litoral paulista ano que vem durante minha Expedição pela América do Sul.

      Abraço.

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  2. Cara muito legal mesmo essa trip. Moro em ipanema. Fui acompahando a sua viagem pelas fotos e vi que vc chegou do lado da minha casa! Estou pensando seriamente em começar a fazer essas trips de bike. Tenho essa ideia a bastante tempo. Obrigado pelo blog. Isso me anima bastante.
    Grande abraço,
    Adriano

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  3. Nossa que bela aventura, parabéns! Moro em Bertioga, mas já morei em Guarujá, Santos e em São Vicente também,quero muito conhecer Paraty e gostei da dica do camping, só tenho uma observação: O forte de Bertioga chama-se São João, e não São José rsrsrs...você trocou o santos. Abraços e obrigada por nos mostrar essas maravilhas!

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