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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Pesquisa, universidade e ciclismo.

O ano de 2007 foi o começo de um novo estilo de vida. No ciclismo, expedições, viagens e constantes treinamentos. Na universidade, o terceiro ano decisivo no curso de história. E uma bolsa remunerada de pesquisa na área dos movimentos sociais. Entrei em um projeto já em andamento sobre a relação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, (MST) e a imprensa. Aceitei participar da bolsa em razão do meu interesse pelos fatos de ação social. Mas uma pesquisa de nível acadêmico requer muita, mas muita dedicação, são horas voltadas a leituras de textos, artigos, revistas e livros. Sem mencionar que todas as leituras são dignas de relatórios, esses datados de entrega para o professor coordenador. Foi um período de muito estudo. Por outro lado as matérias do terceiro ano também exigiam minha atenção, sem comparar em nível de importância essa ou aquela disciplina, de modo igual, eu teria que aprender muito bem para poder ensinar, princípio básico da educação. E no terceiro ano da faculdade é período de estágio, portanto, fase ainda mais concentrada de trabalhos e estudos.

Mas com as três coisas ao mesmo tempo, pesquisa, universidade e ciclismo, percebi que alguma coisa eu deveria renunciar, caso contrário, nenhuma seria concluída com êxito. Resolvo então, deixar algumas matérias do terceiro ano, entre elas MTP, Métodos e Técnicas de Pesquisa em História, pré-requisito para realizar o TCC no quarto e último ano do curso. Tinha plena consciência que essa minha decisão estaria atrasando em um ano a minha formação. Mas não me arrependi em nenhum momento, o aprendizado que obtive por esses caminhos da vida está me levando à formação de um indivíduo melhor.

Ao tomar essa atitude, saberia que em 2008 eu teria que estudar de manhã, as matérias do terceiro ano e de noite as disciplinas do quarto ano, exceto o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Mas pelo menos, tinha claro em meus planos que deveria terminar a pesquisa e continuar os treinamentos para a viagem. E isso eu conseguir realizar com êxito. A pesquisa terminou no final de setembro com a apresentação de seus resultados na Universidade Estadual de Maringá no evento especifico para divulgação de pesquisas.

A questão financeira.

O dinheiro da bolsa de pesquisa na universidade era pouco, suficiente para pagar apenas água, luz e internet, sobrando algum trocado e mais nada. Quando acontecia de sobrar, acabava guardando para a viagem. Mas sabia que era pouco. Minha estadia no exterior era entre vinte e vinte e cinco dias. E somando o custo das passagens de ônibus para o retorno, eu precisava de aproximadamente mil reais. Muito dinheiro, é verdade. A solução foi conseguir um meio de levantar esses recursos.

Minha viagem para o Chile ficou comprometida inúmeras vezes em razão da falta de dinheiro suficiente. A situação financeira da minha família não era das melhores, meu pai acabara de perder o emprego e estava recebendo o seguro desemprego. Minha mãe continuava trabalhando, mas seu salário já estava reservado para as despesas da casa. Foi quando tive a seguinte idéia.

Depois de morar três anos sozinho em apartamento, consigo vaga em uma república de estudantes, desse modo economizaria para a família e o pouco que tinha poderia destinar à viagem, mas ainda assim não era suficiente. Consegui um emprego no setor da expedição de um frigorífico de aves. Minha pretensão era trabalhar apenas um mês e conseguir o dinheiro para interar nas despesas. No trabalho novo fico exatamente um mês, entre final de novembro e dezembro como o previsto. Claro, utilizava a bicicleta para trabalhar, mesmo sendo de madrugada, começávamos às cinco horas.

Comprei meu alforje através de parcelamento no cartão pela internet. Esse era o item mais caro para adquirir, com a sua aquisição eu deveria guardar dinheiro para minha alimentação e passagem de volta. Com o término do trabalho alguns dias antes da partida para o Chile, o dinheiro ainda é insuficiente. Mas meus pais resolvem colaborar, conforme disse minha mãe, ela não achava justo eu ter treinado tanto durante o ano para não ir viajar. Então, em comum acordo, meus pais ajudaram, mesmo sem poder, em cerca de 400 reais, quase metade do montante previsto. Minha viagem estava dessa forma garantida. Acabei levando para a viagem quase 700 reais. A passagem eu poderia pagar no cartão, pensei. No final da viagem, o gasto foi de quase mil reais. Metade desse valor destinado para a compra de passagens de Antofagasta a Santiago no Chile, da capital chilena para Curitiba e finalmente à Foz do Iguaçu.

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