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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Brasil V

22/06/2013 - 349° dia - Fortaleza (Folga)
Dia movimentado. Aquisição de peças para Victoria à caranguejo na Praia do Futuro.
Por volta das 8 horas da manhã o camarada Fernando passou na casa do anfitrião Daniel para me levar a uma bicicletaria do outro lado da cidade onde muito provavelmente eu encontraria as peças para repor na Victoria. A maioria delas estava em falta na Savana Bike Shop e por isso saímos à procura por outras lojas que, incrivelmente, também careciam de catraca, corrente, coroa e câmbio traseiro, componentes do grupo Alivio 24 velocidades da marca Shimano.
Na loja Crisciclo que fica no bairro Parangaba, encontramos todas as peças necessárias, inclusive, um velocímetro da marca Echowell U12 para substituir o meu Sigma 906 que infelizmente teve a fiação danificada em São Luís no Maranhão. Como não cheguei a fazer uma pesquisa sobre ciclocomputador, desconheço a qualidade desse adquirido hoje, contudo, a vendedora garantiu que a marca é muito boa e resistente à chuva, algo muito importante para quem pedala em todas as condições climáticas. Esse fator, por exemplo, me fez deixar de lado o Cateye que estava na prateleira e não tem uma reputação muito boa com água. Este velocímetro da Echowell foi aprovado pelos funcionários da loja após passar nos testes realizados e por isso acabou sendo comprado. Gostaria de ter adquirido um com temperatura, no entanto, estava em falta e vai ficar para outra oportunidade.
Sei que toda a “brincadeira” na loja resultou em 311 reais. Uma grana alta demais para quem está em fase de economia. Mas a Victoria é uma chave fundamental para meu avanço, se ela não estiver em condições de seguir viagem eu não consigo finalizar a expedição. Por isso a esperança é que os amigos que estejam acompanhando o diário de bordo colaborem pela vakinha ou depósito, para balancear novamente as finanças.
Compradas as peças, retornamos à Savana onde a Victoria se encontra há alguns dias e deve permanecer pelo menos até a próxima segunda-feira, data marcada para o término da revisão e a troca das peças. Serviço realizado sem custo, um apoio da Savana para a expedição. Com isso vou ter que permanecer mais um dia em Fortaleza e voltar à estrada somente na terça-feira. Paciência. Importante é que a minha companheira vai sair da UTI e ganhar alta em poucos dias.

Victoria na UTI. Reposição das peças.
De volta à casa do Daniel, comecei a responder os comentários pendentes no diário de bordo. Quem deixou mensagem nos tópicos Brasil II, III e IV pode conferir que agora já está respondido. Peço apenas desculpa e compreensão pela demora.
No período da tarde havíamos combinado de ir à Praia do Futuro para tomar um banho de mar e comer caranguejo, especialidade local. Saímos tarde de casa e chegamos à praia somente por volta das 16h30m. Em pleno sábado as areias de uma das principais praias da capital cearense estavam com um número bastante reduzido de pessoas por causa do jogo do Brasil contra a Itália pela Copa das Confederações. Isso possibilitou uma maior tranquilidade para curtir o lugar e saborear, pela primeira vez, o caranguejo.
Praia do Futuro praticamente vazia em plena tarde de sábado.
Como mencionei na postagem anterior, a Praia do Futuro é repleta de barracas, uma delas é a Chico do Caranguejo que, como o próprio nome sugere, tem o crustáceo como especialidade da casa. O Daniel sabia que eu ainda não conhecia tal iguaria e fez questão de pedi-la. Enquanto esperávamos o prato principal, degustamos alguns camarões na companhia de uma água de coco gelada. Tudo isso bem de frente para o mar. Que vida boa, obrigado meu Deus.
Na entrada da barraca Chico do Caranguejo.
Barraca Chico do Caranguejo.
Lagostas e camarões à venda.
Delícia de camarão.
Preciso comentar alguma coisa?
Quando o caranguejo chegou à mesa, começou as presepadas do sujeito aqui. Isso porque é preciso toda uma técnica para conseguir tirar alguma carne das patas/pernas do crustáceo. E esse processo é realizado com a ajuda de um pedaço de cano (ou martelinho) para bater e rachar a “casca” do caranguejo. Se os mais experientes já fazem uma sujeirada para apreciar a saborosa carne, imagina quem nunca fez isso antes. Pois é, a mesa ficou em uma situação, digamos, bem critica. Brinquei com o Daniel dizendo que isso é coisa para se fazer uma vez na vida e outra na morte. (Risada Sacana).
Especialidade da casa; caranguejo.
Fominha. Comeu quase todos os camarões. (Risada Sacana).
Registro de um momento que não acontece todo dia.
Ei Daniel, e essa sujeira toda aí na mesa? (Risada Sacana)
E o camarada comeu tanto caranguejo que não conseguia levantar da cadeira.
A carne do caranguejo é gostosa, saborosa, mas é muito pouca para o trabalho que se tem para “garimpa-la”. Um peão com muita fome não tem paciência para isso não. Para a minha felicidade eu nem estava demasiado faminto, assim, calma não me faltou para curtir toda a situação.
No final, um caldo de caranguejo chegou à mesa para finalizar extremamente bem a experiência com a especialidade da casa. Que coisa mais deliciosa. Provei sopa e caldo por mais de oito meses durante a parte estrangeira da expedição, mas nenhum se compara a esse provado na Praia do Futuro. Simplesmente maravilhoso. Esse sim é para ser degustado muitas e muitas vezes. Certamente será solicitado em novas oportunidades.
Como já estava tarde e a tarefa de manusear o caranguejo levou um bom tempo, acabei sem entrar na água, mas isso não foi nenhum problema. Presenciamos um magnifico pôr-do-sol e eu tive a oportunidade de conhecer um pouco mais da nossa gastronomia. Tenho que agradecer imensamente ao Daniel que, além do convite, não me deixou arcar com nenhuma despesa. Muito obrigado, camarada.
Pôr-do-sol na Praia do Futuro.
Registro garantido.
Na parte interna da barraca do Chico do Caranguejo ainda assistimos os minutos finais do jogo do Brasil que ainda marcou mais um gol com a nossa presença na torcida. Somos pé quentes. (Risada Sacana). Comemoração garantida. Depois restou voltar para casa com a barriga extremamente cheia, tomar um banho e dormir.
23/06/2013 - 350° dia - Fortaleza (Folga)
Dia dedicado exclusivamente ao descanso. 

Registro do perigeu lunar.
24/06/2013 - 351° dia - Fortaleza (Folga)
Finalmente a Victoria recebeu alta.
No período da tarde o Daniel me avisou que eu poderia buscar a Victoria na Savana porque ela estava pronta. O amigo Fernando se propôs a me levar na loja e rapidamente cheguei ao “hospital” para levar minha companheira para casa.
Na Savana, eles também realizaram a troca do núcleo do cubo traseiro. Era ele que estava fazendo o estalo no dia que cheguei à Fortaleza. Apenas essa peça me custou, com desconto, quase 100 reais. Pelo menos acho que agora a Victoria está pronta para continuar a viagem sem me surpreender novamente. Não quero precisar fazer mais nenhum investimento na parte mecânica. Talvez terei que trocar o pneu traseiro porque, infelizmente, o Pirelli não vai aguentar chegar no Paraná. Não sei se comentei, mas com a temperatura ambiente elevada, o asfalto tem derretido os pneus. Normalmente eles durariam 7-10 mil km no Sul, mas não chegarão nem na metade dessa quilometragem aqui no nordeste.
Ainda na Savana, conheci e conversei com um pessoal bacana, incluindo os funcionários e o proprietário Alfredinho que me presentou com mais uma camisa de ciclismo, dessa vez uma relíquia, sua camisa de participação no Brasil Ride (importante competição que acontece no país). Muito obrigado a todos.

Moisés, eu, Alfredinho e Jymmy
Com a Victoria em mãos fui pedalar pela Beira-Mar com o Daniel que aproveitou para me levar ao Dragão do Mar, um importante e grandioso centro cultural de Fortaleza. Sem dúvidas é um dos lugares mais agradáveis da capital. Além de espaços destinados à cultura, há também vários prédios antigos onde hoje funcionam bares e restaurantes que oferecem excelente um ambiente com música ao vivo.  muito recomendável para famílias, casais e amigos. Gostei.

Centro Dragão do Mar.
Escultura do poeta popular cearense Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré.
Na volta para casa pedalamos novamente pela Beira-Mar que estava lotada. É sempre muito bom ver pessoas de várias idades praticando exercícios físicos. Foi possível, por exemplo, conferir gente caminhando, correndo, andando de skate, patins, bicicleta, jogando futebol de areia e dançando capoeira.
A cidade está muito policiada e a cada quarteirão dessa região da Beira-Mar é possível visualizar dois, três policiais. Acho que a medida é por causa das manifestações que tem acontecido em todo o Brasil nos últimos dez dias. Fortaleza que também é sede da Copa das Confederações não ficou de fora dos protestos e acredito que por isso exista mais policiais nas ruas. Também nos deparamos com o ônibus da seleção espanhola que estava sendo escoltado pela Polícia Rodoviária. Mais tarde soube que eles tinham passado o dia na Praia do Futuro em uma parte que foi reservada somente para eles. Um absurdo!
Em casa, tive tempo apenas de jantar, tomar um banho e dormir. Não cheguei nem mesmo a arrumar minhas coisas para partir no dia seguinte porque estava com muito sono.
Com o novo velocímetro já consigo ter dados mais completos sobre as pedaladas:
Dia finalizado com 11,75 km em 1h08m e velocidade média de 10,20 km/h.
25/06/2013 - 352° dia - Fortaleza a Morro Branco
Dia de retornar à estrada.
Como eu não havia arrumado a bagagem no dia anterior, precisei acordar cedo para colocar tudo em ordem e sair o quanto antes. Desse modo, levantei às 5 horas da madrugada e comecei a tarefa que levou mais tempo do que imaginava. Gostaria de ter saído da casa do Daniel por volta das 6 horas, mas infelizmente isso foi acontecer somente às 07h30m, não sem antes degustar um caprichado café da manhã e me despedir e agradecer a família que simplesmente proporcionou uma das melhores estadias da viagem. Muito obrigado por tudo.
Camarada Daniel. A caramanhola térmica (azul) foi mais um regalo do anfitrião. Valeu, hermano.
Registro com o Junior, irmão do Daniel. Obrigado pela hospitalidade.
Meu trajeto consistia em seguir na direção do Rio Grande do Norte, mas antes de passar por mais uma divisa ainda precisava completar outro trecho em território cearense. A primeira parada estava programada para acontecer na praia de Morro Branco na cidade de Beberibe. A família do Daniel tem uma casa no local que foi oferecida para a minha hospedagem. Claro que não recusei a sugestão e o local foi incluído no itinerário.
Morro Branco é uma praia muito conhecida do litoral cearense em razão das falésias que encantam turistas e moradores locais. Para chegar à Beberibe eu precisava pegar a CE-040 que também me levaria à divisa com o Rio Grande do Norte.
Pensei que a saída da capital em direção à CE-040 seria complicada, sobretudo, porque era horário de rush, mas foi muito mais fácil do que eu imaginava. Bastou seguir as orientações do Daniel, perguntar para algumas pessoas no caminho e seguir as placas para rapidamente chegar à rodovia. Precisei apenas de atenção com trânsito.
Chegada fácil à rodovia CE 040.
O tempo nublado anunciava que a chuva, que caiu minutos antes da minha saída, voltaria a qualquer momento. Não queria pedalar debaixo d’água naquele instante porque meu corpo ainda estava frio e a Victoria limpíssima. (Risada Sacana). Seria uma pena ver a minha companheira suja depois de toda a atenção que ela recebeu nos últimos dias. Aliás, a diferença na pedalada é notória com a mudança das peças. Sem dúvida valeu o investimento.
A chuva felizmente não apareceu e permitiu um avanço tranquilo. Com 15 quilômetros eu deixava a capital e passava a pedalar pelo município de Eusébio. Vale destacar que praticamente todo esse trajeto foi marcado pela presença de uma ciclovia que, sem dúvida, garante a segurança do ciclista em meio a essa multidão de veículos.
Limite entre os municípios de Fortaleza e Eusébio.
A CE-040 foi bastante elogiada por aqueles com quem conversei sobre a estrada. E não é difícil entender o motivo; pista duplicada, asfalto muito bom, acostamento largo e com a mesma pavimentação da pista dos veículos. Tudo o que um ciclista deseja.
A excelente rodovia. Em direção à Beberibe.
A surpreendente CE 040. Uma rodovia estadual duplicada e com acostamento decente.
Sorria você está na CE 040.
Uma imagem vale mais do que mil palavras.
Da série: Coisas que a gente encontra pelo caminho.
O relevo não apresentou inclinações muito fortes e foi permitido seguir em um ritmo razoável. No começo eu cheguei a ficar assustado com a minha média na casa dos 18 km/h. Não sabia se eu estava mais “forte” pelo descanso dos últimos dias, se a bicicleta estava muito mais rápida ou as duas coisas ao mesmo tempo. Sei que foi tudo muito tranquilo.
Entre Fortaleza e Morro Branco seriam aproximadamente 85 km e por isso planejei chegar às 15 horas no local desejado. Pelo caminho as novidades ficaram relacionadas aos vários engenhos de cana na beira da estrada nas proximidades de Pindoretama. No mais, não houve muitas surpresas.
O tempo fechado ficou pelas bandas de Fortaleza e quanto mais eu me aproximava de Beberibe, mais quente ficava, sobretudo, à medida que as nuvens se dispersavam de uma vez. Mas hoje a minha maior preocupação não era com a temperatura alta e sim com o vento contra que deve ficar cada vez mais forte conforme eu sigo para o Rio Grande do Norte, contudo, essa questão começou a aparecer somente por volta das 11 horas e ainda assim não assustava.
Ao meio-dia comecei a ficar com fome, mas num primeiro momento hesitei em parar e quando finalmente as lombrigas falaram mais alto, não achei nenhum restaurante pelo caminho e decidi que seguiria sem almoço até Morro Branco que não estava muito longe.
Vale ressaltar, novamente, a condição da estrada. Não me recordo de ter encontrado uma rodovia estadual como a CE-040. É bom ver um investimento do governo estadual em que a obra é realizada com seriedade. A rodovia chega muito próximo dos padrões das estradas privatizadas no estado de São Paulo. A diferença aqui é que não existe pedágio, pelo menos eu ainda não passei por nenhum. Aliás, se não me engano, desde Roraima eu não encontro pedágio.
Por volta das 13h30m passei pela entrada de Beberibe que não demorou muito para surgir no horizonte. Típica cidade pequena do interior, suas peculiaridades são encontradas no início do perímetro urbano, onde, por exemplo, caixas de som estão espalhadas pelos postes de iluminação. A programação fica por conta da rádio local. Fazia tempo que não me deparava com esse tipo de coisa. Como meu destino era Morro Branco, segui as placas e fui à sua direção.
Igreja em Beberibe
Da entrada de Beberibe à Morro Branco são aproximadamente 8 quilômetros. Com o endereço e referência em mãos, fui procurar a casa da família do Daniel, demorei um pouco para achar em razão da falta de placas referentes aos nomes das ruas, mas encontrei após perguntar para os moradores. Quando cheguei ao local, bastou ligar para o caseiro que toma conta da casa para me entregar as chaves.
Chegada à Morro Branco.
Morro Branco.
O caseiro apareceu por volta das 15h30m e então finalmente entrei na agradável e confortável casa da praia. Ficaria apenas hoje em Morro Branco, conheceria as falésias e amanhã seguiria viagem, mas essa casa é convidativa demais para descansar e aproveitar o mar que pode ser visualizado do quintal. A piscina é outro fator para permanecer no local. Refrescar-se um pouco diante dessa temperatura do nordeste não é nada mal. Dessa forma, achei que seria válido ficar amanhã para conhecer com mais calma os atrativos naturais.
Com a decisão de permanecer mais um dia em Morro Branco, reservei a parte da tarde para testar a piscina, descansar e fazer alguns telefonemas para compartilhar a alegria de estar em um local como este. Também aproveitei para passar em um mercadinho para comprar os ingrediente para fazer uma macarronada que seria o jantar de hoje e o almoço de amanhã.
Amanhã cedo quero ir à praia, finalmente mergulhar no mar e conhecer as famosas falésias.
Dia finalizado com 90,09 km em 6h20m e velocidade média de 14,10 km/h.
26/06/2013 - 353° dia - Morro Branco (Folga)
Falésias de Morro Branco, mais uma beleza natural pelo caminho.
A noite foi tranquila e acordei naturalmente por volta das 6h30m e levantei poucos minutos depois para ver como estava o tempo. Céu com poucas nuvens e o sol brilhando forte. Maravilha. Tomei meu café da manhã “reforçado” com bolacha e leite, separei a bolsa de guidão para colocar a câmera fotográfica e na sequencia saí em direção à praia.
Como mencionei, o mar é visualizado da casa onde estou, ou seja, não precisei me deslocar nem 500 metros para poder pisar na areia e molhar os pés na água salgada que ainda estava gelada, afinal, o relógio marcava 07h30m. Registrei esse reencontro com o mar e comecei a caminhada pela praia. Não demorou muito e as primeiras jangadas apareceram no horizonte. A maioria ainda estava na areia, mas algumas já zarpavam para mais um dia de trabalho.
Nas areais da praia de Morro Branco.
Praia de Morro Branco.
Morro Branco ao fundo.
Mar agitado nas proximidades das falésias.
Jangadas estacionadas.
Pequenas e simples jangadas.
Zarpando para mais um dia de trabalho.
Técnica para vencer a arrebentação.
Passagem pela "tormenta"
Esses pescadores tem todo meu respeito.
In foco.
Sentido alto-mar.
Agora é driblar o vento.
A praia de Morro Branco me pareceu muito bonita, a água por essas bandas é um pouco esverdeada e deixa o ambiente ainda mais convidativo a um banho de mar, mas ainda não estava na hora, principalmente porque a temperatura continuava baixa. Por isso continuei a caminhada até me aproximar das barracas à beira do mar. Ainda estavam fechadas, mas pela estrutura, tudo indica que na alta temporada e finais de semana devem ficar lotadas.
Barracas à beira-mar.
Barracas e embarcações.
Jangadas sendo preparadas para cair no mar.
Sempre há uma bicicleta..
Mais uma entrando n'água.
Registro garantido na Praia de Morro Branco. 
Eu não estava interessado em barraca, queria mesmo é conhecer as falésias e elas começaram a desapontar pouco depois dessa área. Sozinho e sem nenhum conhecimento sobre região, iniciei a visita às falésias pela “saída” do trajeto que normalmente é realizado pelos turistas que fazem o passeio com guia. Isso eu fui saber no final, mas tudo bem. Importante é que eu estava diante de um interessante e bonito fenômeno da natureza. As falésias, segundo o dicionário, são escarpas íngremes, à beira-mar, por efeito da erosão marinha. Por escarpa, entenda-se, rampa ou declive de terreno.
Finalmente nas falésias.
Logo no começo das falésias, a primeira surpresa, uma casa antiga com uma faixa dizendo que ali havia sido gravada (1982) a novela Final Feliz. A moradia naquela ocasião era habitada por Stenio Garcia. Como eu não era nascido na época, não tenho o minimo conhecimento e lembrança dessa novela. Talvez os mais antigos que acompanham o diário de bordo devem recordar.
Casa da novela Final Feliz.
In foco.
As falésias impressionam pelas formas e cores. É simplesmente uma obra de arte esculpida pela natureza. Em um primeiro momento apenas contornei elas pela praia, mas depois que encontrei moradores locais, descobri que era possível subir o morro depois de uma barraca que havia mais a frente. No caminho registrei ainda mais essas maravilhas que tenho a oportunidade de conhecer pela primeira vez em território nordestino.
Falésias de Morro Branco.
Falésias de Morro Branco.
Falésias de Morro Branco.
Falésias de Morro Branco.
Yo!
Com a referência passada pelos moradores, comecei a subir as falésias pela “saída” na parte denominada Monumento Natural das Falésias. Deste ponto em diante é possível ter um panorama do que realmente é o local, simplesmente incrível. Labirintos se formam por causa da erosão e deixam o lugar ainda mais interessante.
Aqui a gente entra pela saída. (Risada Sacana).
Labirintos.
Ângulo diferente das falésias.
Falésias de Morro Branco.
In foco.
Falésias de Morro Branco.
Falésias de Morro Branco.
Falésias de Morro Branco.
Falésias de Morro Branco.
As falésias seguem por uma extensa área que fiz questão de visitar em sua totalidade, pelo menos até o final da praia de Morro Branco. Quando cheguei próximo da outra praia, onde também era possível visualizar torres de energia eólica, comecei o caminho de volta seguindo por um ponto mais alto. No vídeo que eu fiz chamei de topo do topo das falésias. Foi desse ponto que consegui enxergar a cidade de Beberibe.
Quase no final das falésias de Morro Branco.
Energia eólica 
Praia vizinha a Morro Branco.
In foco.
Panorama da Praia de Morro Branco.
Alguém ainda duvida da capacidade das jangadas e seus marujos?
In foco.
Cidade de Beberibe ao fundo.
In foco.
In foco.
Enquanto caminhava para a praia passei pelo farol, cuja entrada é proibida, mas que também proporciona uma vista bem interessante, sobretudo, da praia de Morro Branco. Foi então que começaram a aparecer os primeiros turistas. E não eram poucos e estavam acompanhados de guias. Apenas lamentei o horário que eles tinham começado o passeio. Acho que já passava das 10 horas da manhã e o sol castigava qualquer um.
Farol de Morro Branco.
Magnifica vista da praia de Morro Branco.
Turistas começando o passeio às 10 horas da manhã. Misericórdia.
In foco.
In foco.
Falésias de Morro Branco.
In foco.
Famoso buraco da sogra.
Como eu entrei pela saída, nada mais coerente do que sair pela entrada. E foi assim que finalizei meu passeio pelas falésias, não sem antes fazer mais alguns registros que certamente ficaram marcados como um dos mais bonitos da viagem.
Entrada das falésias
Entrada das falésias de Morro Branco.
Praia de Morro Branco.
Na saída, digo, entrada, parei em uma barraca onde um senhor vendia artesanatos e durante a conversa ele me explicou que o retorno daqueles turistas era realizado de Buggy. Ele não chegou a me falar o preço do passeio, mas disse que se o retorno fosse a pé, o guia não estipulava um preço, você pagava de acordo com as informações prestadas.
Nesta área também me deparei com mais uma casa da tal novela, desta vez, a residência tinha sido habitada pelos atores José Wilker e Natália do Valle. Final Feliz foi a primeira novela da Globo gravada no Ceará. O bacana é que o lugar não explora o turista no que diz respeito à cobrança de entrada ou para fazer fotos e vídeos. Em inúmeros outros lugares seria a oportunidade perfeita para colocar uma taxa. Hoje no local funciona uma loja de artesanatos.
Outra casa utilizada na novela Final Feliz.
"Quintal" da casa.
De volta à praia não hesitei em cair na água que a essa altura já estava quente. Deixei minhas coisas em uma barraca onde somente o proprietário se encontrava e fui, finalmente, mergulhar no Oceano Atlântico. Que coisa boa! Água quente, mar não muito agitado e ondas pequenas que até poderiam servir para surfar com bodyboard, mas como não encontrei a prancha para alugar, fiquei apenas na vontade. Nadei, brinquei, levei uns caldos, surfei os jacarés e depois retornei para casa já era quase meio-dia.
Almocei a janta de ontem. A refeição do dia anterior foi preparada justamente pensando no almoço de hoje. Economizaria tempo e dinheiro. E a macarronada ainda continuava deliciosa. Logo depois fui lavar um pouco de roupa e comecei a escrever no diário de bordo para não deixar acumular. Se tudo der certo quero fazer essa atualização em Natal ou no máximo em João Pessoa na Paraíba.
Quando o sol baixou um pouco resolvi encarar a piscina que estava muito convidativa. Tenho que aproveitar aquilo que está à minha disposição. Vai saber quando terei outra oportunidade como essa. Vivenciar momentos como esse, sozinho, talvez não seja o mais adequado, mas consigo dar risada de mim mesmo e tornar a solidão um pouco menos cruel.
Victoria no quintal da casa de praia. Detalhe para o mar ao fundo.
Banho de piscina para relaxar.
Hospedagem de luxo.
Depois de curtir a piscina, voltei a escrever e enquanto estava concentrado no diário de bordo, comecei a ouvir uma gritaria. Era o povo comemorando o gol do Brasil. Nem lembrei que a seleção estava jogando a semi-final da Copa das Confederações. Como aqui não tem televisão, voltei à região da entrada das falésias que concentra um comércio com bares, restaurantes e pousadas. Muito provavelmente algum estabelecimento estaria passando o jogo. Não teve erro, uma lanchonete exibia a partida. Comecei a ver somente o segundo tempo. Apesar de não ser fanático por futebol, achei legal acompanhar o jogo que estava bem movimentado e terminou com a vitória do Brasil sobre o Uruguay.
Voltei para casa depois do jogo e tornei a escrever. Agora são 20h13m e estou quase finalizando o relato de mais um dia de viagem. Amanhã quero sair bem cedo daqui para poder completar, no mínimo, 150 quilômetros e chegar ao Rio Grande do Norte. No caminho fica a famosa praia de Canoa Quebrada, mas pelo que vi na internet, o local não diferencia muito de Morro Branco, além de ser extremamente turística e cara, por isso não fará parte do meu trajeto.
27/06/2013 - 354° dia - Morro Branco (Ceará) a Mossoró (Rio Grande do Norte)
Surpreendente chegada ao Rio Grande do Norte.
A noite na casa da praia foi tranquila e exatamente às 5 da manhã o celular despertou e levantei logo em seguida. Arrumei a bagagem que estava praticamente toda no alforje e tomei um simples café da manhã a base de bolacha e leite. Deixei a residência organizada da forma como encontrei, tranquei a porta e fui começar mais um dia de pedal, não sem antes procurar a casa do caseiro para pode entregar a chave. Isso às 6h30m.
O caseiro me avisou que havia um caminho alternativo para retornar à CE 040. Segundo ele, o trajeto não passava pelo centro de Beberibe e nem voltava ao local por onde eu tinha entrado na cidade. Peguei as informações e continuei.
No trevo para o centro de Beberibe parei em uma borracharia para calibrar o pneu e o proprietário me avisou que esse caminho alternativo estava com muita pedra, terra e não era aconselhável. Recomendou continuar sentido ao local por onde cheguei na cidade. Foi o que eu fiz.
Como peguei o mesmo caminho de dois atrás, não tive nenhum erro para retornar à estrada. De volta à CE 040 – que foi extremamente elogiada no relato de ontem – fiquei surpreso ao verificar o término da pista duplicada, contudo, a estrada simples não deixou de ter um excelente acostamento, no mesmo nível da pista. Avante.
CE 040 agora com pista simples.
O tempo mais uma vez estava aberto e a temperatura quente nas primeiras horas do dia, somente para variar. O vento contra também marcava presença, mas de forma moderada, o que não acontecia na mesma proporção era a minha fome. Fui obrigado a parar em uma lanchonete cuja propaganda na estrada dizia que tinha caldo de cana e pastel. Não pensei duas vezes em pedir o café da manhã complementar. Mas o local oferecia apenas pastel no momento. Sem alternativa, solicitei somente o salgado para ter uma energia extra.
Novamente na estrada meu objetivo era almoçar em Aracati que ficava aproximadamente 75 km de Morro Branco, no entanto, o destino final estava programado para acontecer na divisa com o Rio Grande do Norte, que totalizaria no velocímetro cerca de 130 km. Pelo caminho, sem muitas novidades, a paisagem mesclava mais uma vez; arbustos, coqueiros e cajueiros.
Coqueiros e cajueiros, típicos da região.
O relevo também continuou favorável com poucas subidas e possibilitou minha chegada à Aracati por volta do meio-dia com 75 km pedalados. A cidade é relativamente grande se comparada com as outras da região, mas para minha felicidade não precisei pedalar pelo perímetro urbano porque a rodovia passa por fora, aliás, daqui para frente a viagem continuaria por uma rodovia federal: BR 304.
Relevo favorável em direção à Aracati.
Direção ao Rio Grande do Norte.
A nova estrada prejudicou o meu avanço por causa, exclusivamente, do acostamento que não era compatível com a pavimentação da pista principal. Agora a área “sagrada” parecia uma lixa com inúmeras pedras pequenas e soltas. Sem falar nos buracos que eventualmente eram preenchidos pelas rodas da bicicleta. Tudo isso somado a uma temperatura elevada e o vento contra. Para melhorar a situação nenhum restaurante apareceu após Aracati e a fome bateu forte na companhia da canseira. Sem opção a solução era torcer para encontrar alguma refeição à beira da estrada.
Ao invés de aparecer um restaurante, surgiu o trevo para a praia de Canoa Quebrada que é bastante conhecida por suas águas e falésias. Confesso que pensei em visitar, mas depois de conhecer Morro Branco descartei essa possibilidade, sobretudo, porque os preços “turísticos” não são nada convidativos e o local ficava longe demais do meu caminho em direção ao Rio Grande do Norte. Avante.
Na estrada, após um posto de fiscalização, finalmente um restaurante. Já passava das 13h30m e o estabelecimento não tinha muitos clientes. O buffet simples custava dez reais e com exceção da carne, era possível comer à vontade. Imagina se meu prato não se transformou em um arranha-céu por duas vezes. Tudo em nome da moral e dos bons costumes. (Risada Sacana).
No restaurante perguntei a um motorista sobre a distância restante para a divisa com o Rio Grande do Norte. Segundo ele, ainda faltavam 35 quilômetros distribuídos em poucas subidas. O senhor questionou se eu conseguiria chegar à Mossoró (70 km) até o final do dia. Respondi que seria praticamente impossível e que a pretensão era terminar o pedal logo após a travessia para o estado vizinho. Eu mal sabia do tamanho equívoco que estava cometendo ao proferir aquelas palavras.
Em razão do clima, a permanência no restaurante foi maior do que costuma ser e após 1h30m de descanso, finalmente retornei à estrada para completar os meros 35 km até a divisa com o RN. A distância foi confirmada por uma placa logo após a volta para a BR 304 que passou a apresentar em suas margens uma extensa área pertencente à Petrobras que explora petróleo daquelas terras.
Faltava pouco para chegar ao Rio Grande do Norte.
Exploração de petróleo.
Área da Petrobras.
A quilometragem restante para a divisa terminou por volta das 17h30m quando finalmente cheguei ao destino desejado. Pela primeira vez nesta expedição eu realizava a travessia entre estados brasileiros na escuridão. Apesar do horário, o sol já havia ido embora e me restou registrar o momento de uma forma aquém da esperada, todavia, fotografei o ingresso ao nono estado brasileiro desta expedição. Mais uma vez estava muito feliz.
Divisa entre Ceará e Rio Grande do Norte.
In foco.
Registro garantido da entrada no Rio Grande do Norte.
O problema é que na divisa entre os estados as poucas casas de um vilarejo no Ceará não me pareceram convidativas a um descanso e por isso continuei pedalando em território do Rio Grande do Norte onde a próxima cidade (Mossoró) estava há quarenta quilômetros.
A rodovia continuou denominada como BR 304, contudo, em condições muito melhores, principalmente no que diz respeito ao estado do acostamento. Com a melhoria da pavimentação a velocidade média aumentou consideravelmente. E isso favoreceu também a parte psicológica, já que meu objetivo não era avançar depois da divisa. Estava tudo ao meu favor. O insistente vento contra finalmente tinha dado uma trégua e o relevo também proporcionava um deslocamento mais fácil. Com o aumento da quilometragem e a ausência de casas à beira da rodovia, não tinha motivos para não avançar à Mossoró.
Mesmo na escuridão, o avanço para Mossoró foi absolutamente tranquilo, mas o mesmo não foi possível dizer na chegada à cidade que não apresentou nenhuma hospedagem à beira da estrada. O horário acabava exigindo um pouso mais seguro, mas na ausência de pousada, hotel e qualquer coisa do tipo, fui solicitar o pernoite em um posto de combustível com bandeira SP, bastante conhecida aqui no nordeste.
Chegada à Mossoró.
O frentista do posto SP ouviu bem meu pedido, mas foi solicitar autorização ao gerente que estava com alguns amigos em outra parte do posto, quando o mesmo me viu tratou com extremo desdém e, como se eu fosse um cachorro sarnento, desviou o olhar e pediu ao funcionário para dizer que não queria ninguém no posto dele. Detalhe, local lotado de caminhoneiros. Sem deixar me abater pela atitude lamentável do senhor gerente, peguei minha Victoria e continuei pelo perímetro urbano de Mossoró.
A cidade é a segunda maior do Rio Grande do Norte e como se pode imaginar, o trânsito nessa área é bastante intenso e para a minha infelicidade é exatamente o trecho na rodovia que passa por reformas. Foi extremamente complicado passar pelo perímetro urbano. Mas apesar disto, estava atento a qualquer sinal de pousada pelo caminho. Quando finalmente apareceu um hotel, a diária de 90 reais só me fez dizer; muito obrigado. Mais a frente uma pousada com preço de 70 reais estava lotada. Paciência.
Já passava das 21 horas e começava a chover. Para aumentar ainda mais a aventura, meu pneu traseiro indicava que estava furado porque começava a murchar lentamente. Avancei pela rodovia e repentinamente apareceu um posto de combustível da Petrobras. O estabelecimento parecia um pouco antigo e já naquele momento estava encerrando o expediente. O gerente, em uma postura contrária daquele anterior, disse que eu poderia montar a barraca ou a rede debaixo de um galpão paralelo ao posto. Mencionou que o local era seguro e que o vigia chegaria em instantes. Também frisou que eu poderia tomar banho já que o lugar disponibilizava de banheiro com chuveiro. Era tudo e mais um pouco do que eu precisava. Maravilha.
Para além da canseira, estava com muita, mas muita fome. Para a minha sorte ainda havia uma lanchonete aberta no posto. Não tinha mais nada de salgado ou lanche, mas uma sopa ainda poderia ser servida. Impossível não me lembrar da época em que fiquei nos países vizinhos onde o prato de entrada (sopa) se fazia presente em toda refeição. A sopa aqui estava extremamente caprichada e ajudou a saciar um pouco a fome e custou três reais.
Para adiantar as coisas, resolvi trocar a câmara de ar furada depois do jantar, assim não precisaria perder minutos preciosos no dia seguinte na execução da tarefa. Enquanto realizava a troca, apareceu o segurança do posto e começou a conversar e fazer as perguntas “normais” e que educadamente foram respondidas. Na sequencia ele disse que eu poderia dormir na área da lanchonete que fecharia em poucos minutos, assim eu não precisaria montar a barraca, bastava esticar o saco de dormir. Aceitei a sugestão. Era outra economia de tempo. Maravilha.
Depois de trocar a câmara furada, coloquei os alforjes no lugar e fui tomar um banho para poder descansar tranquilamente, mas não sem antes ligar para minha amada e parabeniza-la pela colação de grau que, infelizmente, eu não pude estar presente. Foi muito bom ouvir, ainda que à distância, sua voz de felicidade. Sabia da importância daquele momento ímpar em sua vida, não faz muito tempo que passei pela mesma situação. É simplesmente inesquecível.
Dia finalizado com 174,98 km em 12h15m e velocidade média de 14,2 km/h.
28/06/2013 - 355° dia - Mossoró a Assú
Da exaustão à superação.
A noite na lanchonete foi relativamente tranquila, talvez um pouco desconfortável para meu corpo que merecia um descanso completo, mas tudo bem, importante é que consegui recuperar parte das energias gastas no dia anterior e achei que estava pronto para seguir viagem.
Acordei por volta das 4h30m da madrugada e meia hora depois já estava levantado para arrumar a bagagem e seguir em direção à Natal, capital do estado. Agradeci ao segurança pela estadia e às 05h45m voltei a pedalar.
A lanchonete onde passei a noite.
Posto de combustível que permitiu meu pernoite. Fica na frente de um cemitério. Fácil de localizar.
Meu corpo sentia um pouco a distância do dia anterior e as pernas estavam pesadas, ainda mais com o vento contra que já me desejava bom dia. O sol também marcava presença e anunciava que as próximas horas seriam de calor sem piedade.
Apesar das condições climáticas, o que me atrapalhava era a fome, infelizmente estava sem tomar o café da manhã. Meu estoque de bolacha acabou e não tinha mais nada para repor as energias. Como a janta de ontem foi apenas a sopa, imagina a situação em que eu voltei à estrada sem a refeição matinal. O segurança do posto avisou que eu encontraria apenas dois estabelecimentos nos próximos quilômetros onde poderia comer alguma coisa. Então fiquei na espera.
Quando os restaurantes apareceram, não eram convidativos e pelos cartazes ofereciam refeições completas, caras e nada compatíveis com meu bolso, ou seja, tive que seguir com fome na esperança de encontrar pelo menos uma mercearia em algum vilarejo pelo caminho, embora meu mapa não indicasse a presença de nenhum povoado entre Mossoró e Assú (ou Açu). Mas esperança é a última que morre.
A fome bateu violentamente e eu começava a sentir falta de açúcar no sangue. Que diferença uma bolacha recheada me faz. Pensei no que poderia ser feito e lembrei que ainda tinha um restinho do mel que ganhei em Roraima. O mesmo estava numa garrafa no fundo do alforje. Somente as lombrigas para me fazer tirar toda a bagagem no meio da estrada.
Parada para encontrar alimento no fundo da bagagem.
Transporte de parte de um aerogerador para energia eólica.
BR 304 no Rio Grande do Norte.
O mel estava realmente nos finalmente e serviu mesmo apenas para poder seguir alguns quilômetros pelas extensas subidas. Não eram inclinações fortes, mas naquele momento qualquer subida deixaria meu moral inversamente proporcional ao relevo. Sem esquecer que o vento contra ficava cada vez mais violento.
Um trecho da rodovia estava em obras e um funcionário me avisou que o próximo restaurante estava somente há 15 quilômetros, mais precisamente no km 78 da BR 304. Que maravilha, teria que me superar no momento em que todas minhas forças estavam se esgotando. Pedalava cada vez mais lento em razão da soma de todos os fatores. Minhas pernas pareciam que giravam uma tonelada no pedal.
Sei que realizava paradas frequentes para enganar a fome e a canseira. Aproveitei esses momentos para fazer ligações para meus pais e mandar notícias, afinal, eu estava em outro estado brasileiro.
O posto/restaurante mencionado pelo funcionário da rodovia não apareceu na quilometragem indicada. O que surgiu no acostamento foi um motorista que estacionou seu veículo para conversar e saber mais detalhes da viagem. Ele quem disse que o estabelecimento que eu procurava estava logo após a curva, poucos metros de onde estávamos. Maravilha. O senhor disse que me esperaria no local para poder conversar melhor, afinal, o acostamento estava pegando fogo.
No restaurante paralelo ao posto (km 84 da BR 304) o senhor que me aguardava e morava na Paraíba, conversou e tirou algumas fotos comigo e da Victoria antes de seguir viagem. Eu aproveitei os salgados disponíveis na lanchonete e solicitei dois para compensar o café da manhã atrasado. Se não me engano, passava das 10 horas da manhã.
Sentei na cadeira e simplesmente não consegui mais levantar. Era muita canseira e as pernas não respondiam ao meu comando. Sendo assim, resolvi ficar mais um tempo descansando. O estabelecimento também servia almoço e por volta das 11h30m eu solicitei a refeição. Mas a minha fome já não era mais a mesma e não consegui comer tudo. Achei isso muito estranho, meu corpo não estava normal. Sei que soliciteii à atendente para colocar o resto da comida em um recipiente para eu poder levar.
Depois do almoço eu estava cochilando sobre a mesa do restaurante, algo muito feio e por isso achei melhor deitar debaixo de uma árvore ao lado do posto e ali fiquei por mais duas horas. As pernas não melhoraram muito e se tivesse uma hospedagem no local eu não hesitaria em ficar ali mesmo. Fiquei pensando no que me deixou naquele estado lamentável, talvez a quilometragem do dia anterior, contudo, acredito que a falta do café da manhã foi o que potencializou essa condição. Estava literalmente exausto.
Como não tinha condição de permanecer deitado pelo resto do dia debaixo daquela maravilhosa sombra, precisava seguir viagem. Tirar força de onde não imaginava. Somente por Deus para conseguir levantar e ainda pedalar com toda essa carga contra um vento insuportável e um calor da moléstia. Não tem sido nada fácil avançar pelo nordeste.
A cidade de Assú era a próxima a aparecer pelo caminho, no entanto, ficava há 30 quilômetros de onde eu estava, ou seja, precisava me superar para alcançar o município e, por sorte, encontrar uma hospedagem econômica para passar a noite e finalmente ter um descanso apropriado.
O caminho para Assú foi uma verdadeira luta entre as partes psicológica e física. Não tinha mais força para pedalar, mas minha mente procurava dizer o contrário para cada parte do meu corpo. Com essa insistência os quilômetros foram passando, ainda que vagarosamente. A velocidade lenta me possibilitou verificar um pássaro no acostamento. Apesar de vivo, ele não voou com a minha passagem, parei a bicicleta e fui ver o que havia acontecido, infelizmente ele não conseguia mais mexer as asas. Foi uma judiação vê-lo naquele estado. Fiquei muito triste por não poder fazer nada, mas aquele encontro foi um sinal dos céus para me lembrar que eu ainda tinha “asas” para poder voar e continuar pelo meu caminho. Deixei o animal fora do acostamento e segui em direção ao destino desejado. 
Trecho após a longa parada no restaurante.
A vida na palma de suas mãos.
Infelizmente não pude ajuda-lo, mas com certeza ele me deu muitas forças para seguir em frente.
Pouco depois das 17 horas, finalmente, chegava à Assú e na entrada da cidade eu segui em direção à Pousada Primavera que foi indicada por um morador local. Precisei pedalar mais 3 quilômetros para encontrar o local onde a diária mais barata custava 20 reais. Infelizmente eu teria que desembolsar esse dinheiro para poder me recuperar.
As acomodações da pousada são muito boas e recomendo para quem estiver de passagem pela região. Tomei um banho e antes de capotar na cama fui a um mercado para adquirir os mantimentos básicos. Aproveitei para comprar bolachas, pão, geléia, suco e uma bebida láctea vitaminada para o jantar.
Na volta para a pousada comecei a sentir um calafrio estranho que permaneceu pelas próximas horas. Não era possível que a temperatura ambiente estivesse baixa a ponto de eu sentir aquele frio. Suspeitei de insolação porque eu havia pedalado sem protetor solar durante o dia, uma vez que o meu também tinha terminado e não foi reposto pela ausência do mesmo na estrada. Mas os sintomas de insolação, felizmente não eram os mesmos que eu estava sentindo.
Com o corpo extremamente cansado e provavelmente com febre, fui dormir o sono dos justos na esperança de acordar melhor no dia seguinte.
Dia finalizado com 73,48 km em 6h03m e velocidade média de 12,0 km/h.
29/06/2013 - 356° dia - Assú a Lajes
 Mais um dia superando obstáculos.
A noite na pousada foi tranquila. O calafrio que eu sentia no final do dia anterior sem dúvida era por causa da febre porque transpirei muito durante a madrugada, sinal evidente que meu corpo buscava se recuperar contra todo aquele mal-estar.
Não coloquei o celular para despertar porque eu queria poder descansar o máximo possível. Mas por volta das 6 horas já estava levantado. Tomei um café da manhã caprichado com as coisas que comprei no mercado e 1 hora depois eu já me encontrava na estrada. Meu corpo conseguiu se recuperar rapidamente e todo aquele peso nas pernas desapareceu. Estava feliz por ter voltado à normalidade.
No posto de combustível às margens da BR 304 eu parei na pretensão de calibrar os pneus e um grupo de ciclistas do Estado se aproximou para conversar comigo. Eles realizavam uma viagem em um veículo motorizado, mas também praticavam cicloturismo. Após um tempo de prosa e um registro fotográfico, cada um seguiu seu caminho. O meu era continuar em direção à Natal.
Não pedalei 8 quilômetros e meu pneu traseiro furou. Misericórdia. Era tudo o que eu não precisava. Para aliviar a situação, a sorte é que o acontecimento foi próximo a uma sombra. Encontrar uma árvore às margens da estrada por essas bandas é uma raridade, por isso estava mais conformado.
Troquei a câmara furada e coloquei a reserva, mas ao encher notei que ela também estava sem condições de uso. Como a segunda câmara de ar reserva estava furada desde a ocasião do posto de Mossoró, fiquei sem opção a não ser remendar uma delas naquele instante. Mas as surpresas não haviam terminado. O tubo de cola estava completamente seco. Esse é o momento que você para, respira fundo, olha para os lados e pensa no que pode ser feito.
Pensei ter visto uma borracharia um quilômetro antes de furar o pneu e já estava arrumando as coisas para me direcionar até o local para poder conseguir, pelo menos, uma cola para os remendos. Mas foi quando um trator (sim um trator!) surgiu no acostamento do outro lado da rodovia. A máquina apareceu repentinamente e chegou até onde eu estava depois de andar 400 metros em marcha ré. Aproveitei que o motorista parou e perguntei sobre a existência de uma borracharia. Foi então que ele me disse que tinha uma a poucos metros de onde estávamos. Ficava no sentido contrário àquele da outra borracharia que eu pensei ter visto. Para a minha surpresa o trator não continuou em marcha ré após o motorista conceder a informação, ou seja, ele apareceu somente para poder me informar sobre o local. Que tal?
O escritor José Saramago dizia; Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro. Eu nunca fui ateu, mas cético (como já mencionei em outra postagem) em relação a muitas coisas. Mas felizmente, hoje, ao contrário de Saramago, encontro inúmeros sinais de Deus. E a Sua presença tem feito toda a diferença, não somente no decorrer desta viagem, mas na minha vida de modo geral. Sou eternamente grato por todos esses acontecimentos.
Após colocar os alforjes fui até a borracharia indicada pelo motorista enviado pelos céus. O estabelecimento se encontrava fechado e o proprietário disse que estava de saída, mas ouviu atentamente meu pedido e mencionou que se eu tivesse os remendos e realizasse a tarefa, ele conseguiria a cola. Era mais do que o suficiente e o senhor me presenteou com o item sem cobrar nada por isso. E ainda mais, ofereceu água e um café da manhã que não foi recusado. O mesmo foi provado depois de remendar as três câmaras furadas. A refeição matinal, preparada pela mulher do borracheiro, estava caprichada, três pães com ovos fritos e um saboroso café preto. Pense numa coisa boa. Mais uma vez encontrei pessoas boas pelo meu caminho. Graças a Deus.
A borracharia onde consegui remendar as câmaras e ainda ganhei um café da manhã.
Dois vizinhos da borracharia acompanharam a troca do pneu e durante a conversa disseram que esse acostamento que mais parece uma lixa ficaria bom a partir de Angicos e que as subidas diminuiriam depois de Lajes. Fiquei na expectativa. Na ocasião eu somente precisava de um acostamento com a pavimentação melhor, porque desde Mossoró a situação piorou consideravelmente e começou a “segurar” demais os pneus no asfalto.
Cheguei à Angicos pouco depois do meio-dia e apesar do horário eu estava mais cansado do que com fome, afinal, foram duas refeições matinais caprichadas. No entanto, o vento contra que hoje estava ainda mais forte, deixou o pedal complicado e tive que empregar ainda mais forças para movimentar a bicicleta. Sem falar nas subidas que também continuaram presentes e extensas. O corpo pediu um descanso e na atual situação não tive como recusar e sentei na sombra de uma construção que aparentava abandonada à beira da estrada. Na verdade se tratava de um enorme galpão com algumas partes inacabadas. Aproveitei o local para preparar meu pão com geléia na companhia de um suco. Seria meu almoço. A economia servia para aliviar a balança com os gastos do dia anterior e o filtro solar adquirido na saída de Assú.
As subidas entre Assú e Angicos.
Mais um flagrante. Desconheço o nome.
Da série: coisas que a gente encontra pelo caminho.
Parece fácil, mas avançar com esse acostamento, vento contra e temperatura elevada, não é nada fácil.
Da série: coisas que a gente encontra pelo caminho.
Após o “almoço” continuei em direção à Lajes e a paisagem não mudou muito, talvez algumas montanhas pelo caminho e poucos vilarejos, raros postos de combustível e escassas hospedagens. O Rio Grande do Norte é um estado com poucas cidades e isso é perfeitamente notado nesta região. Programe-se bem quando passar por essas bandas.
Uma enorme montanha que é visualizada de muito longe.
O período da tarde não se diferenciou daquele da manhã, mais vento contra, subida e temperatura nas alturas. Inevitável não ficar cansado. Assim como também é muito difícil pedalar longas distâncias com todos esses fatores. No começo do dia minha pretensão era finalizar o pedal em Lajes, todavia, com a escuridão achei melhor finalizar em um posto de combustível quase 10 km antes do local desejado, mas infelizmente o posto estava fechado e o segurança informou que não seria possível dormir no local.
Contrariando minha vontade, continuei em direção à Lajes para procurar uma hospedagem. Na entrada da cidade havia uma pousada econômica, mas como era festa de São Pedro, a cidade e o estabelecimento estavam lotados. Uma pena, porque a diária custava apenas 15 reais. A recepcionista me informou que seria difícil encontrar algum quarto vago, mas que eu poderia tentar no restaurante quase ao lado, onde também funcionava uma pousada. Para a minha sorte o local tinha habitações disponíveis, contudo, custava 30 reais. Uma facada, mas eu precisava descansar bem e como não tinha gasto nada com o almoço, fiquei na Pousada Militão.
A hospedagem oferecia habitações compatíveis com o preço, tudo muito limpo, organizado e com wi-fi disponível. Infelizmente o café da manhã não estava incluído, mas pelo menos consegui um lugar seguro e confortável para passar a noite. A Victoria ficou na parte de baixo porque os quartos são no segundo piso. No final da noite aproveitei a lanchonete ao lado do restaurante e fui pedir um lanche para não dormir sem nada no estômago.
Dia finalizado com 91 km. O tempo e a velocidade média eu não sei por que consegui zera-los durante o pedal. Ainda estou no período de adaptação ao velocímetro novo.
30/06/2013 - 357° dia - Lajes a Natal*
Finalmente na capital do Rio Grande do Norte.
O dia longo começou por volta das 6 horas da manhã quando acordei e levantei logo em seguida. Comi um pacote de bolacha, arrumei a bagagem e voltei à estrada às 7h30m. O corpo mais uma vez amanheceu sem dores e pronto para outro dia de pedal.
O tempo estava aberto, com sol e poucas nuvens. Para variar, o vento, novamente, soprava contra. A condição do acostamento não mudou depois de Lajes, conforme, haviam me falado e infelizmente a impressão era que os pneus continuavam agarrados ao asfalto. Que tristeza.
A novidade no período da manhã foi o encontro com um cicloturista cearense. Se não me engano, seu nome é Vagner e viaja pelo Brasil há alguns anos. Atualmente completa o trecho São Paulo x Fortaleza. Seu objetivo é escrever um livro com a sua história para incentivar jovens de rua a saírem do mundo das drogas e violência para conhecerem o esporte e suas vantagens. Durante a passagem pelas cidades, Vagner procura recolher assinaturas oficiais afirmando sua presença pelo local. Me mostrou um caderno com centenas de documentos e fotos de pessoas conhecidas no caminho.
O camarada ciclista viaja com pouca bagagem se comparada à toda minha tralha, contudo, aquilo que carrega vai nas costas e, segundo ele, já está acostumado com o peso, mas imagino como deve desconfortável pedalar daquela forma.
Encontrei o cearense parado no acostamento de uma curva, ele estava esperando uma ajuda para trocar o pneu furado. Isso porque sua bicicleta, antiga Caloi 10, não tinha roda de pressão e por isso necessita de uma chave especial para tira-la. E sem a ferramenta o Vagner não conseguiu saca-la. Por sorte, carrego uma chave que serviu para o amigo ciclista. Ele trocou a câmara, mas na sequencia teve uma surpresa idêntica àquela que eu tive ontem. A peça reserva também estava furada. Lá vai ele tirar a roda e remendar a câmara. Realizada a troca, conversamos mais um pouco e cada um seguiu seu destino. O dele estava bem mais próximo. O meu? A capital, Natal. Avante.
Cicloturista cearense realizando a troca da câmara de ar furada.
Boa sorte e sucesso na conclusão de seus objetivos, camarada.
Vagner em direção à Fortaleza;
As subidas do caminho. Faltava pouco para almoçar em Riachuelo.
Minha estratégia era chegar em Riachuelo na hora do almoço e antes das 19 horas chegar à Natal. Não seria uma tarefa fácil por causa das condições climáticas, mas eu poderia muito bem superar mais essas adversidades.
Por volta das 13 horas parei em um restaurante na entrada de Riachuelo onde o prato feito era servido por dez reais. O cardápio; macarrão, maionese, arroz, feijão (preto, verde ou carioca), salada, e uma variedade de carnes a ser escolhida. Eu optei por um cupim que há muito tempo eu não degustava. Estava tudo muito bom.
Durante o almoço estava passando o primeiro tempo da disputa do terceiro lugar da Copa das Confederações entre Itália e Uruguay. Fiquei exatamente 45 minutos no restaurante, porque meu retorno à estrada aconteceu quando terminou a etapa inicial da partida. Um dos motivos que eu gostaria de chegar antes das 19 horas em Natal era para acompanhar a final entre Espanha e Brasil. Como mencionei em outro postagem, não sou nenhum fanático por futebol, mas tudo indicava que seria um desses jogos históricos e que eu não queria perder.
Na estrada liguei para o anfitrião de Natal, Fernando, que foi sugerido pelo João Almeida de Recife. Avisei que chegaria somente de noite e ligaria quando estivesse no local combinado para nos encontrarmos.
Acampamento do MST às margens da rodovia nas proximidades de Riachuelo. Força na luta, camaradas.
O período da tarde foi sem muitas surpresas e o acontecimento que foi muito bem-vindo ocorreu quando o crepúsculo já terminava; encontro entre as rodovias BR 226 e 304. A nomenclatura continuou BR 304, mas o acostamento mudou e ficou com a pavimentação igual a da pista principal. Finalmente um alivio para as pernas já que o deslocamento acontecia mais rápido.
Eu estava cansado, mas tinha que chegar na capital e isso significava pedalar aproximadamente mais trinta quilômetros, que beleza. Sei que cheguei à Macaíba por volta das 19 horas e ouvi os primeiros fogos de artificio que para mim seriam alusivos ao início do jogo, mas depois o Fernando me ligou para saber onde eu estava e mencionou que o Brasil já tinha feito 1x0 sobre a Espanha. E eu ainda na estrada, infelizmente tinha perdido o jogo.
Mas eu continuava motivado para chegar à capital e finalmente poder descansar por, pelo menos, três noites, como havia combinado com a família que estava prestes a me receber.
Quando cheguei à entrada de Parnamirim, cidade metropolitana, parei em um posto de combustível para saber como chegar ao endereço do ponto de referência passado pelo Fernando. No local um taxista me passou todas as informações necessárias e também sugeriu que eu ficasse para ver o segundo tempo do jogo. Achei a idéia interessante e passei a acompanhar a partida com os funcionários do posto. Não adiantava nada seguir e ligar para o anfitrião durante a final. Não faria essa sacanagem com ele, por isso acredito que tenha sido uma boa estratégia.
Brasil passeou sobre a Espanha e o jogo não foi nada como eu esperava, enfim, campeão. Destaque ficou mesmo por conta da atitude da caixa da loja de conveniência do posto, que ao saber mais sobre a viagem fez questão de realizar uma colaboração de dez reais, foi justamente o valor gasto no almoço de hoje. Fiquei surpreso e muito agradecido. As colaborações tem aparecido de onde menos se espera.

Depois do jogo o taxista me acompanhou por um trecho e na sequencia fui perguntando como chegar ao endereço, não do ponto de referência, mas da casa do Fernando, pelas informações não seria muito difícil de chegar à residência onde a família morava. Fui conferir.
O trânsito na região metropolitana estava calmo em razão do jogo e pelo horário, afinal, era o término de mais um domingo. O Fernando mora em Parnamirim, mas sua casa fica poucas quadras de Natal, onde, inclusive, ele trabalha. De qualquer forma, estava tudo tranquilo e conseguia me deslocar sem maiores dificuldades.
Com a gentileza dos moradores locais que passaram informações concisas, finalmente cheguei ao local desejado, para a surpresa do Fernando que ainda aguardava meu telefonema. No local fui muito bem recepcionado pela família e seus amigos. Destaque para a reação do pequeno Mateus (filho de Fernando e Carina) ao me ver. Estava todo animado porque havia visto no Youtube um ou dois vídeos das minhas entrevistas e na sua cabeça eu era uma celebridade em sua casa. Foi uma cena que jamais vou esquecer. Um olhar natural e um sorriso sincero de admiração. Incrível.
Na confortável casa, conversei bastante antes de me instalar e tomar um banho com água quente depois de meses sem encontrar chuveiro elétrico pelo caminho. O “luxo” veio em boa hora, já que a temperatura ambiente nas noites de Natal/Parnamirim são frias se comparadas a outras capitais nordestinas.
Devidamente limpo fui jantar e após mais uma prosa com os anfitriões fui descansar o sono dos justos.
Dia finalizado com 134,79 km em 11h04m e velocidade média de 12,01 km/h.
01/07/2013 - 358° dia - Natal* (Folga)
Começando o mês de julho com visita à capital do Rio Grande do Norte.
A noite foi tranquila e consegui descansar bastante, acordei naturalmente por volta das 6 horas, mas resolvi não levantar e peguei no sono novamente. Para a minha surpresa, levantei de verdade quase duas horas depois. Maravilha.
Na parte da manhã fiquei organizando meu material fotográfico para colocar no site que dificilmente será atualizado aqui em Natal, infelizmente há muita coisa para ser escrita e o tempo aqui é curto, devo partir na quarta-feira, como havia combinado com os anfitriões. Mas aproveitei a disponibilidade da internet para conferir algumas coisas e mandar notícias sobre a minha chegada a mais uma capital nordestina.
Próximo do meio-dia a Carina me levou ao trabalho do Fernando que, por sua vez, me acompanhou a uma bicicletaria para regular as marchas da Victoria. Precisava apenas fazer esse serviço na minha companheira. O camarada me levou a uma loja de confiança onde o pessoal não cobrou pelo serviço. Bicicleta totalmente pronta para seguir viagem.
Minha tarde foi dedicada à atualização do diário de bordo. Já no período da noite o anfitrião foi me levar para conhecer um pouco melhor a cidade de Natal. Nosso passeio começou pela famosa Rota do Sol ainda no município de Parnamirim onde a primeira parada aconteceu no também conhecido; Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), conhecido simplesmente como Barreira do Inferno, é uma base da Força Aérea Brasileira para lançamentos de foguetes. Fundada em 1965, se tornou a primeira base aérea de foguetes da América do Sul.
Barreira do Inferno
Barreira do Inferno
Enquanto registrávamos a passagem pela Barreira do Inferno, um grupo de ciclistas que treinava na rodovia parou no local e começaram a conversar com o Fernando que logo mencionou sobre a minha viagem e a prosa se estendeu. Quanto mais eles descobriam sobre a viagem, mais curiosos ficavam. Foi uma conversa bacana. Valeu galera.
Depois da Rota do Sol seguimos para a região da beira-mar em Natal, mais precisamente na praia mais famosa da cidade; Ponta Negra. O local foi visitado de noite e por isso não foi possível visualizar as cores do mar e tampouco o Morro do Careca que fica no local. Mas ainda assim foi interessante ter esse ponto de vista noturno da praia.
Estádio do ABC
Praia da Ponta Negra. Ao fundo (sem poder ser visto) está o Morro do Careca.
Beira-mar de Natal.
Continuamos pela via costeira que concentra um dos mais sofisticados hotéis, bares e restaurantes na beira-mar de Natal. No caminho passamos pela Praia dos Artistas, Praia do Meio e a Praia Miami onde paramos e registramos o Relógio de Sol que é um dos destaques do local. 
Relógio de Sol.
Para finalizar, o camarada Fernando ainda me levou até a outra margem da Ponte Newton Prado nas proximidades da famosa Fortaleza dos Reis Magos. Na volta passamos pelo Centro de Convenções de Natal onde foi possível ter uma vista diferenciada dessa parte da cidade. Infelizmente tive que fazer o passeio de noite (disponibilidade de horário do anfitrião) que é um período que oferece outra perspectiva diferente, porém limitada da cidade, mas ainda assim valeu a visita. Obrigado, Fernando.

Vista de Natal no Centro de Convenções.
Centro de Convenções de Natal.
02/07/2013 - 359° dia - Natal* (Folga)
E a moléstia está solta.
Acordei muito mal e a tosse que me acompanha a alguns dias ficou ainda pior. Novamente voltei a sentir calafrios e o termômetro confirmou a febre. Estava com quase 39°C. A Carina preparou um chá com alho, mel e limão e também me deu um xarope para tosse e um remédio para a febre. Sei que fiquei o dia inteiro ruim e com o corpo cansado. Com essa situação não consegui nem mesmo escrever no diário de bordo. Tratei de permanecer em repouso na cama.
Espero melhorar até amanhã porque foi o dia combinado para seguir viagem. Hoje o dia foi chuvoso e a minha expectativa é que amanhã pare de cair água. Vou ficar na torcida. Porque vai ser complicado continuar viagem debaixo de água. Veremos.

Um registro com a família que me recebeu muito bem em Natal: Carina, Fernando e Mateus.
03/07/2013 - 360° dia - Natal (Rio Grande do Norte) a Mamanguape (Paraíba).
Pedalando pela primeira vez, nesta expedição, na rodovia BR 101 .
Chegada ao estado da Paraíba.
Retorno à estrada com chuva para melhorar ainda mais meu estado de saúde. Que maravilha!
A noite foi relativamente tranquila. Acordei de madrugada apenas por causa do efeito do remédio contra a febre que me fez transpirar litros e encharcar todo o colchão. Tive que modificar minha posição para poder dormir em uma parte seca, apenas para ter uma idéia da área molhada. Reação violenta do corpo.
Acordei sem dores musculares e também sem febre, mas infelizmente a chuva continuava e eu não gostaria de seguir viagem mediante aquela condição. Estava levantado desde às 6 horas da manhã. Fiquei na torcida para começar o pedal sem a chuva, mas ela não deu trégua. Pior que a previsão do tempo indicava chuva para os próximos dias. E eu não poderia esperar. Por isso a opção foi mesmo partir.
Despedi-me de toda a família e claro, fiz questão de agradece-la pela hospitalidade e às 8h45m segui pelo caminho indicado para pegar a BR 101. A princípio seguiria um trecho pela Rota do Sol para ver o maior cajueiro do mundo, mas com aquela chuva achei mais viável continuar pela rodovia federal, onde cheguei quase dez quilômetros depois.
Voltar a pedalar na BR 101 é sempre muito significativo. A infinita highway da música dos Engenheiros do Hawaii é sem dúvida uma das rodovias mais importantes do país e que atravessa doze estados e passa dos 4 mil quilômetros de extensão. Tem seus pontos extremos no Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, neste último, segue até São José do Norte, trecho percorrido na Expedição de Inverno em 2010, ou seja, conhecer, pedalando, a parte norte da 101 é apenas mais um sinal do que um simples meio de transporte pode realizar. Viva a bicicleta.
Retorno à BR 101. Sentido à Recife.
Na Infinita Highway no Rio Grande do Norte.
A BR 101 está duplicada e com acostamento largo em perfeitas condições. Se não fosse a chuva estaria tudo muito bem, obrigado. Até o vento contra amenizou um pouco em relação aos dias anteriores. Na estrada as placas indicavam as distâncias para as próximas capitais; João Pessoa, Recife e Maceió. A princípio eu passaria na capital da Paraíba, mas meu anfitrião precisou viajar de última hora e por isso decidi seguir direto para Recife, onde pretendia chegar na sexta-feira se tudo ocorresse conforme o previsto.
O relevo não atrapalhou e o avanço continuou em um ritmo razoável dentro da minha realidade física. Por volta do meio-dia passei pela cidade de Goianinha, mas acabei não encontrando um local adequado para almoçar e continuei em direção à Canguaretama onde por volta das 13h30m eu estacionava a bicicleta para realizar a refeição mais importante do dia.
Ainda bem que o restaurante estava vazio, assim ninguém ficou reparando no meu traje sujo e molhado. O buffet custou 8 reais e estava muito bom. Claro que meu prato manteve a tradição de estar sempre caprichado. Poucos minutos depois eu já retornava à estrada. Não poderia perder tempo já que minha saída de Natal aconteceu tarde demais.
Poucos quilômetros depois da parada no restaurante eu visualizava a divisa entre os estados do Rio Grande do Norte e a Paraíba, estava prestes a pedalar pelo 10° estado brasileiro dessa expedição. Mais uma conquista, sem dúvida nenhuma. Dessa vez a passagem entre estados aconteceu com claridade, contudo, com o tempo bastante nublado e uma chuva que esperou apenas eu registrar o momento para voltar a cair.
Divisa de estados. Paraíba me desejava boas vindas com uma baita subida.
In foco.
Victoria na BR 101 em território paraibano.
Registro imperdível.
Comecei o dia com a intenção de pedalar na faixa dos 100 quilômetros e foi praticamente com essa distância que eu cheguei ao estado da Paraíba. No entanto, a primeira cidade estava longe, cerca de 30 quilômetros da divisa. Não estava disposto a continuar até Mamanguape, contudo, a falta de opção para acampar ou hospedar pelo caminho me deixou sem escolha. Continuar em frente.
A vegetação na Paraíba não mudou muito em relação aos demais estados nordestinos, assim como não notei diferença nos pequenos vilarejos que encontrei pelo caminho. A diferença estava relacionada ao relevo que passou a ser de inúmeras subidas extensas e inclinadas. Em uma delas um caminhoneiro buzinou e estacionou para me oferecer carona, mas tive que explicar que a “promessa” era pedalar todo o trajeto.
Nas outras vezes em que os motoristas ofereceram carona, eles não entenderam a minha recusa quando mencionava que o “objetivo” era pedalar a viagem inteira. Para ficar mais compreensível para quem está do outro lado, passei a dizer “promessa” o que não deixa de ser uma verdade, considerando que eu prometi a mim mesmo que seguiria pedalando com a Victoria até as últimas consequências. De qualquer forma agradeci ao caminhoneiro que compreendeu a minha resposta e ainda me passou informações sobre o trecho a seguir. Segundo ele, eu realmente encontraria hospedagem somente em Mamanguape que estava há 15-20 quilômetros. A subida seria um pouco longa, mas não existiriam outras parecidas. Menos mal.
Pela escuridão eu seguia normalmente pela estrada quando às 19h30m finalmente cheguei à cidade desejada. Na entrada de Mamanguape encontrei hospedagens na avenida marginal, mas quem disse que a mesma possui entrada/saída para a rodovia. Misericórdia. Precisei descer um bom trecho para fazer o retorno já que atravessar o canteiro com guard-rail seria bem complicado.
Sei que ao fazer o retorno consegui entrar no centro da cidade, mas a pousada encontrada estava lotada. A solução foi subir toda a avenida marginal para ver se havia quartos disponíveis naquelas hospedagens vistas na chegada à Mamanguape. Na primeira pesquisada o quarto com ventilador custava 20 reais, mas não tinha nenhum vago no momento. Com ar-condicionado estava 30 e mesmo com o meu argumento que não utilizaria o ar, não houve desconto e por isso fui para uma hospedagem quase ao lado.
Na Pousada Sol a diária mais barata estava 25 reais com ventilador. Sem muita opção e extremamente cansado, não pensei duas para permanecer no local onde as instalações, apesar de simples, se mostraram suficientes para um descanso tranquilo. Destaque para o chuveiro elétrico em funcionamento com água quente disponível. Perfeito para relaxar os músculos, sobretudo, das pernas.
Devidamente limpo, jantei um pacote de bolacha e fui descansar mais uma vez o sono dos justos.
Dia finalizado com 126,80 km em 9h13m e velocidade média de 13,70 km/h.
04/07/2013 - 361° dia - Mamanguape a Jacumã
Mais um dia com diversas surpresas.
Novamente a febre atacou e o corpo reagiu durante a madrugada. Resultado; transpiração excessiva e cama toda ensopada. Vou ter que procurar orientação médica. Paciência.
Não coloquei o celular para despertar porque gostaria de acordar conforme a vontade do meu corpo que necessitava de todo o descanso possível para poder se recuperar. Assim, sem pressa, acordei por volta das 7 horas e comecei a arrumar a bagagem e na sequencia tomei meu simples café da manhã à base de bolacha e geléia.
Ao sair da pousada às 8h30m passei em um posto de combustível para poder jogar um pouco de água na relação da Victoria que estava completamente suja, sobretudo, de areia, resultado das várias horas da chuva de ontem.
Com a bicicleta um pouco mais limpa, estava na hora de seguir viagem em direção à Pernambuco com passagem pela capital paraibana. Não sabia exatamente em qual cidade eu conseguiria encerrar o dia, mas para não abusar da parte física, debilitada, não queria passar dos cem quilômetros.
Logo na saída de Mamanguape notei que o céu escuro reservava mais chuva pelo caminho. Mas quem dera se o obstáculo estivesse limitado à água oriunda dos céus. As subidas do trajeto se tornaram frequentes e mais íngremes do que aquelas do dia anterior. O vento contra também não ficou ausente da festa. Os trechos de subida eram completados a 5 km/h. Impossível empregar uma velocidade maior com todas aquelas condições em uma bicicleta carregada. Que sofrimento.
A velocidade lenta me proporcionava ver toda a plantação de cana-de-açúcar em meio aquela maravilha de rodovia e comparar com as estradas paulistas onde o cenário não é muito diferente.
Em uma das infinitas subidas, a chuva deixou a timidez de lado e apareceu com força, mas da mesma forma como chegou, foi embora, sem cumprimentar ou despedir de ninguém, curta e grossa, sua pancada foi apenas passageira. Ainda bem.
No final de outra subida, mais uma surpresa, ao parar e degustar algumas bolachas  notei o que pensei ser uma ave em queda livre em uma área verde com muitas árvores que contrastava com os canaviais visualizados até então. Não demorou muito e outro rasante. Desta vez fiquei mais atento e percebi que na verdade não se tratava de um pássaro e sim um, dois, três, vários macacos bem pequenos e ligeiros. Um deles, sem se importar com a minha presença, posou para as fotos e garantiu registros muito bons. Essa é uma das diferenças de viajar de bicicleta.
Flagrante
In foco.
Alguém sabe o nome?
As subidas teimavam em continuar e após o término de mais um aclive, outra surpresa, agora um ciclista passou a pedalar ao meu lado no acostamento. Chegou silenciosamente e confesso que levei um pequeno susto com sua aproximação. Começou a conversar e logo qualquer desconfiança foi deixada de lado. Ele era o Robert, um holandês que conhece o Brasil de longa data, inclusive, é casado com uma brasileira de Olinda em Pernambuco. Atualmente de férias no país com a família, comprou uma bicicleta simples por 130 reais e resolveu ir de Recife à Baía de Traição na Paraíba, quase divisa com o Rio Grande do Norte. Quando ele me encontrou já estava retornando à capital pernambucana.
Muito simpático e comunicativo, Robert, que também fala português, me pareceu uma boa companhia para pedalar. Quando ele disse que terminaria o dia na cidade de Conde, ainda na Paraíba, não pensei duas vezes em poder acompanha-lo, mesmo que finalizasse o dia antes do que havia previsto inicialmente.
Seguimos conversando bastante, contei sobre a minha viagem e ele mencionou sua história e relação com o Brasil. Com certeza não faltou assunto durante o pedal, tanto que não demorou muito para visualizarmos João Pessoa da estrada. Ao meio-dia estávamos em Bayeux que apesar do nome francês é uma cidade metropolitana e foi a nossa parada para o almoço que aconteceu em um pequeno bar que também oferecia refeições a 8 reais. O prato feito estava muito caprichado, conforme o solicitado. Aliás, excelente atendimento. O pessoal ficou bem curioso com a nossa presença.
João Pessoa.
Em direção à Pernambuco. João Pessoa ao fundo.
Registro realizado pelo holandês. Valeu Robert.
Depois do almoço continuamos em direção à Conde passando pelo perímetro urbano de João Pessoa. O trânsito mais movimentado da capital paraibana nos fez pedalar com mais atenção até a situação voltar ao normal. Algo que aconteceu somente na chegada ao trevo de acesso à Conde que está localizado a 3 km da BR 101.
Nas proximidades de Conde.
A PB 018 nos desejou boas-vindas com uma gigantesca subida até a chegada à Conde onde uma farmácia foi convidativa para eu procurar alguma coisa para melhorar a minha saúde. Tenho certa aversão a remédio, até porque raramente sinto mal-estar, mas diante das circunstâncias era preciso auxilio para acabar com a tosse e a febre.
A atendente da farmácia recomendou um xarope e outro remédio que o Robert reprovou apenas no olhar e depois completou dizendo que nenhum deles era antibiótico e que pouco adiantaria. Acontece que o ciclista holandês é enfermeiro e suas palavras foram com propriedade. A mulher, ao escuta-lo, mencionou que antibiótico era vendido apenas com prescrição média. Na mesma hora questionei como encontraria um médico para ser examinado e para minha surpresa ela indicou a Policlínica da cidade, onde eu poderia ser atendido, ainda naquele horário. Detalhe, já passava das 17 horas.
No hospital expliquei a situação e logo me encaminharam para o médico. Atendimento sem burocracia e extremamente rápido. Na conversa com o médico ele mencionou que eu estava com uma virose, por isso o motivo da tosse e febre. Além de um antibiótico, me receitou também um xarope e vitamina C. O primeiro remédio tinha disponível na farmácia do próprio hospital e saiu gratuitamente. Confesso que fique realmente surpreso com todo o processo. O Robert também ficou espantado e disse que jamais havia visto algo parecido na Holanda. Felizmente nem tudo está perdido no Brasil.
Após a consulta no hospital voltei à farmácia para comprar o xarope e a vitamina C. Vinte reais a menos no bolso. Paciência. Pelo menos é para a minha melhora. Aproveitamos e perguntamos aos moradores locais sobre a existência de pousadas, mas para a nossa surpresa, havia hospedagem somente em Jacumã, distrito litorâneo que estava há 15 km. Já escurecia e o Robert não queria pedalar de noite, mas sem muito o que fazer a opção foi seguir viagem.
Continuar pela PB 018 implicaria em mudar a nossa rota para o dia seguinte, mas ambos concordamos que isso não seria nenhum problema, uma vez que conheceríamos essa parte do litoral e ainda sairíamos um pouco do trânsito movimentado da BR 101, para onde retornaríamos de qualquer forma no dia seguinte.
O caminho entre Conde e Jacumã foi repleto de sobe e desce em uma estrada sem acostamento e com buracos. Precisamos seguir com cuidado para não nos envolvermos em nenhum acidente. O Robert estava sem iluminação na bicicleta e acabou seguindo na frente com ajuda do farol da Victoria que conseguia clarear bem a estrada.
Na entrada de Jacumã encontramos uma pousada e fomos averiguar o preço da diária. Um quarto com duas camas, 120 reais. Misericórdia. Claro que a minha reação foi de espanto e decepção. Já dizia obrigado e saia do estabelecimento quando a proprietária começou a baixar o valor que chegou a 80 reais, dividindo por 2 ficava 40 para cada e ainda continuava alto e não era nada interessante para o meu bolso. Mas o holandês estava disposto a permanecer e deu a sugestão de pagar 50 reais. Assim, com muito custo, desembolsei 30 reais. A vantagem da hospedagem é que tinha café da manhã no dia seguinte. Uma refeição a mais.
As acomodações da pousada sem dúvida eram compatíveis com o preço da diária, cama confortável, instalações novas, televisão e chuveiro com água quente. Tudo muito propício para um descanso merecido.
Dia finalizado com 81,71 km em 6h37m e velocidade média de 12,3 km/h.
05/07/2013 - 362° dia - Jacumã (Paraíba) a Igarassu (Pernambuco)
Pedalando por terras pernambucanas.
Noite tranquila na pousada. Já que o café da manhã não seria servido antes das 7h30m não tinha necessidade nenhuma de colocar o celular para despertar. Aproveitei para descansar bastante antes de seguir viagem. Acordei por volta das 6h30m e levantei minutos depois para deixar tudo arrumado nos alforjes.
A refeição matinal estava um verdadeiro banquete e foi preparada exclusivamente para nós dois que éramos os únicos hóspedes da pousada. Algo que explica o porquê do desconto considerável no preço da diária. Enfim, sei que devorei muitos pães, frutas, leite e suco. Tudo o que tinha direito. Devo recuperar todas as energias para poder continuar a viagem firme e forte.
O holandês Robert e eu na saída da pousada em Jacumã.
Às 8h30m voltamos à estrada. Tempo mais uma vez estava aberto; sol, poucas nuvens e muito vento contra para variar. Mas a paisagem no começo da manhã foi magnifica, afinal, tivemos a oportunidade de visualizar o imenso oceano, agora em território paraibano. Mais próximo das areias das praias de Jacumã, também registramos todo o ambiente praiano antes de seguir pela PB 008 em direção à Caaporã e consequentemente o retorno à BR 101 para chegar à Pernambuco e sua capital.
Em direção às praias de Jacumã
Victoria e eu em Jacumã.
O trecho na PB 008 pegou a gente de surpresa por causa das inúmeras subidas extremamente inclinadas. Uma verdadeira montanha-russa em solo paraibano que não esperávamos. Ao contrário do Robert, eu estava com a bicicleta completamente carregada e o avanço pelas ladeiras não era nada fácil, mas ainda assim eu contava com a ajuda das marchas, algo que o holandês não dispunha em sua simples magrela, ou seja, no final, ambos seguíamos bem lentos.
PB 008 em Jacumã
O deslocamento mais lento não nos impediu de aproveitar a viagem, curtir a paisagem, contar muitas histórias e rir bastante. Sem dúvida é muito significativo ter uma boa companhia para viajar.
A rodovia estadual não está em suas melhores condições, trechos sem a sinalização horizontal, sem acostamento e uma pavimentação que deixa a desejar, contudo, a paisagem é compensadora, sobretudo, nos momentos em que a estrada se aproxima do mar que é mais bem visualizado no topo das inúmeras subidas. Talvez o local mais bonito de se admirar as águas verdes do oceano seja na região da Praia Bela. A vista é sensacional.
A precária PB 008.
Pedalando com vista para o mar.
In foco.
Na região da Praia Bela.
In foco.
Camarada Robert.
Na estrada!
Liberdade!
In foco.
Da Holanda para as estradas do nordeste brasileiro.
No decorrer do pedal, mais subidas, plantações de cana, bananas e muitos coqueiros. Na pista a surpresa foi uma cobra verde que passou despercebida pelo holandês que achou que ela estivesse morta no asfalto. Por muito pouco ele não passou por cima dela. Não sei qual nome e muito menos se é venenosa, sei que a afastamos para fora da pista para não ser atropelada como acontece com tantas outras.
Por pouco o Robert não passa por cima.
Posição de ataque?
No trevo para Pitimbu saímos da PB 008 e começamos a pedalar pela PB 044 em direção à Caaporã. Não tem muita coisa pelo caminho, mas surpreendentemente apareceu um pequeno e peculiar vilarejo denominado Taquara que aparenta ser bastante antigo, sobretudo, pelo estilo das casas, ruas e uma igreja que se destaca às margens da rodovia. No entanto, não havia restaurante no local e seguimos sentido à Caaporã. Mas não precisamos pedalar muito e encontramos um restaurante perdido à beira da estrada com buffet a 8 reais. Comida simples, porém muito boa. No final, o Robert pagou meu almoço. Segundo ele, uma ajuda para a minha viagem. Valeu holandês.
Açougue em Taquara.
Taquara
Igreja antiga em Taquara.
Caaporã não demorou para aparecer e quando surgiu trouxe um movimento intenso de veículos. Muitos caminhões e ônibus tiraram tinta das bicicletas. Quem passar pelo local tome bastante cuidado, pois como foi mencionado, não existe acostamento e vários motoristas simplesmente não se importam com a sua presença.
Ainda bem que não precisamos ficar muito tempo pedalando na PB 044 já que a BR 101 apareceu para aliviar a situação. Mais do que isso, a rodovia federal trouxe a divisa entre os estados da Paraíba e Pernambuco. Eu passava a pedalar pelo 11° Estado brasileiro nesta expedição. Sei que já deixei escrito em outras postagens, mas essa sensação de entrar em um novo Estado é sempre muito boa.
Bem-vindo à Pernambuco.
Pedal pela BR 101 em território pernambucano.
Tínhamos planos de chegar à Recife ainda no final do dia, mas com as subidas da PB 008 e o vento contra, esse objetivo se tornava extremamente difícil de ser alcançado. Analisando o mapa e as distâncias, combinamos de terminar o dia na cidade de Igarassu que ficava aproximadamente há quarenta quilômetros.
No caminho certo para Igarassu, nossa próxima parada.
Uma obra de arte da Polícia Federal. Uma placa diz que existe uma filmadora no local. Mas tenho minhas dúvidas.
Fica até chato e repetitivo de escrever, eu sei, mas a realidade tem sido esta; o trecho até Igarassu foi com mais subidas e vento contra, no entanto, pelo menos o acostamento oferecia uma segurança maior diante do movimentado trânsito na rodovia que continuou duplicada. Na BR 101 o Robert estava com um ritmo muito melhor e avançava rápido demais nas subidas e não raramente me esperava no final delas. Acho que ele conseguiria facilmente chegar à sua casa se não fossem essas paradas. Mas em momentos como esse é que conseguimos distinguir os verdadeiros companheiros.
A escuridão apareceu antes de Igarassu que foi surgir após mais uma infinidade de subidas. Vai ter subida assim lá nos Andes. Misericórdia. Por volta das 19 horas estávamos no local desejado. Seguimos ao centro e no meio do caminho encontramos a Pousada Igarassu onde o quarto mais econômico saiu por 38 reais. Assim, cada um desembolsou 19 reais. Muito mais barato do que a pousada do dia anterior. Claro que as acomodações não se comparavam, todavia, ainda permitia um descanso merecido.
Dia finalizado com 98,93 km em 8h10m e velocidade média de 12,0 km/h.
06/07/2013 - 363° dia - Igarassu a Recife
Finalmente na capital pernambucana.
A noite foi relativamente tranquila na pousada. Muitas muriçocas no quarto impediram um sono mais tranquilo. Mas ainda assim foi possível descansar para completar mais uma etapa da viagem. Minha tosse tem diminuído. Não tive mais febre e muito menos dores musculares. A gente perde a batalha, mas não a guerra. Avante.
Havíamos combinado de começar a pedalar às 6 horas da manhã porque ambos tínhamos que chegar cedo à capital. O anfitrião João Almeida nos encontraria na estrada para me acompanhar até sua residência. A ajuda do camarada foi mais do que bem-vinda já que o deslocamento, sozinho, pela enorme Recife não seria dos mais fáceis.
Com a saída programada para às 6 horas, acordei uma hora antes e preparei meu café da manhã com pão, geléia e leite, este último comprado em um supermercado na noite anterior. Não estava à altura da refeição matinal de ontem, mas sem dúvida ajudou a reforçar as energias.
Com as bagagens arrumadas, saímos da pousada no horário previsto, contudo, quando já estávamos na estrada, lembrei que meu chinelo havia sido esquecido na hospedagem. Claro que não pensei duas vezes em retornar para busca-lo. Eu é que não quero gastar dinheiro com calçado a essa altura do campeonato. Acho que perdemos vinte minutos com o meu esquecimento. Acredito que o holandês não gostou muito, mas não disse nada. (Risada Sacana).
Novamente na BR 101 a chuva voltou a cair enquanto passávamos pelo município de Abreu e Lima. Na sequencia chegamos à cidade metropolitana de Paulista e encontramos o João Almeida na estrada. O anfitrião é mais um amigo da época da comunidade Cicloturismo no Orkut. Antes de começar essa viagem entrei em contato para verificar uma possível hospitalidade na capital pernambucana que foi prontamente aceita. Desde então ele vem acompanhando toda a viagem através do diário de bordo e não tem medido esforços para me ajudar durante a minha passagem pelo nordeste. Muito obrigado, meu amigo.

Encontro com o João Almeida que ficou surpreso ao me ver com a  camiseta de seu grupo de cicloturismo de Sertânia. A mesma foi um presente do amigo Fernando de Natal.
Como a casa da família do holandês ficava no caminho (Janga/Paulista) em que seguiríamos, pedalamos juntos até o local de sua estadia, onde aproveitamos para conhecer seus familiares, que por sua vez, nos recebeu muito bem e ainda ofereceu um café da manhã saboroso com direito a uma das melhores tapiocas que provei na viagem.
Despedimos do pessoal, principalmente do camarada Robert e continuamos em direção à Olinda que já seria visitada por estar no trajeto. Na cidade histórica foi preciso subir as ladeiras inclinadas da Sé para chegar ao local mais alto da parte colonial. A vista do oceano, Olinda e Recife são incríveis. Não menos interessante é o ambiente proporcionado pelas ruas e construções antigas de Olinda que é considerada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.
Quase no final da ladeira da Sé.
Cruz instalada na frente do Mosteiro São Francisco.
Presença registrada.
Igreja de Nossa Senhora do Carmo no lado esquerdo. Recife ao fundo.
Panorama do mar na cidade alta ou centro histórico de Olinda.
Pernambuco.
Olinda
Olinda, histórica.
In foco.
Não é difícil encontrar, em meio às estreitas ruas, artesanatos pelas inúmeras lojas e barracas. Entre as obras de artes expostas estão os famosos bonecos gigantes que são figuras marcantes no conhecido carnaval da cidade onde a festividade é conduzida, sobretudo, pelo ritmo do frevo, típico de Pernambuco.
Na parte baixa do centro histórico a passagem pelas ruas de calçamento com construções antigas (bem preservadas) é uma verdadeira volta ao passado. Vale a pena caminhar ou pedalar pela área tombada (1/3 de Olinda) pelo patrimônio histórico.
Ladeira da Misericórdia.
Construções antigas e preservadas.
In foco.
Olinda.
In foco.
Mosteiro de São Bento.
Depois de uma volta por Olinda estava na hora de, finalmente, pedalar pela capital pernambucana. Em Recife o trânsito é típico de uma grande capital, contudo, nosso deslocamento aconteceu sem maiores dificuldades. O anfitrião pegou alguns atalhos e quilômetros depois chegamos à sua residência.
Devidamente instalado, tomei um banho e logo já estava de volta às ruas da capital, desta vez para participar da festa do grupo de ciclismo Maré Biker’s que o João Almeida faz parte. O almoço era uma comemoração especial aos aniversariantes – membros do grupo – dos últimos três meses. No local fui muitíssimo bem recebido e claro que não faltaram conversas e comidas interessantes. Provei, pela primeira vez, buchada de bode, que desceu muito bem. Na hora de irmos embora tive uma grande surpresa quando o pessoal se reuniu e colaborou com uma vaquinha para o término da expedição. Em poucos minutos reuniram quase 150 reais. Muito obrigado a cada um que contribuiu. Pode ter certeza que cada centavo será bem investido.

Buchada de bode.
À mesa com os ciclistas da Maré Biker's.
Confraternização do Maré Biker's
Maré Biker's apoiando o cicloturismo.
No resto da tarde fomos para outra festa, dessa vez, um aniversário do genro do João Almeida. O local ficava no bairro da Boa Viagem que concentra a praia – homônima – mais famosa de Recife. Na ocasião, apenas visualizei as águas verdes do oceano de dentro do veículo, mas tudo indica que amanhã eu tenha tempo para andar pela areia e registrar melhor esse paraíso.
Avenida Boa Viagem.
Avenida Boa Viagem.
A festa estava muito boa, sobretudo, em razão das pessoas que me fizeram companhia, destaque para Ricardo e Cris com quem tive um diálogo maior sobre os mais diversos assuntos. Valeu mesmo pessoal.
Ricardo e Cris.
Dia finalizado com 60,94 km em 4h03m e velocidade média de 15,0 km/h.
07/07/2013 - 364° dia - Recife (Folga)
Recife!
Hoje o dia foi dedicado para conhecer a capital pernambucana.
Havíamos combinado de começar o passeio pela cidade bem cedo para aproveitarmos ao máximo o dia. Por isso, pouco depois das 7 horas da manhã já estávamos nas extensas avenidas e ruas da capital.
Recife é uma cidade moderna e atualmente tem mais de 1,5 milhão de habitantes. Sua região metropolitana, no entanto, concentra uma população muito maior e tem o posto de a mais rica do norte-nordeste brasileiro. Algo que pode ser facilmente identificado em um passeio pelo município, sobretudo, na região sul de Recife, onde se concentram aqueles com melhores condições financeiras.
Ainda no que diz respeito à modernidade, a capital pernambucana me lembrou muito Fortaleza com suas construções verticais espalhadas por toda a cidade, principalmente na área que compreende a beira-mar. A região metropolitana é a terceira mais densamente habitada do país, talvez isso explique o número de edifícios, uma vez que o espaço geográfico se torna limitado para compreender cada vez mais pessoas que optam por morar na região.
Se por um lado, Recife parece uma capital moderna e com a disponibilidade de diversificado comércio, serviços e indústrias, por outro, a cidade também apresenta vários problemas, por exemplo, transporte, mesmo com a existência do metrô. Não raramente, segundo meu anfitrião, as vias estão congestionadas, sobretudo, nos horários de rush. As empresas de ônibus que realizam o transporte público não oferecem veículos e linhas suficientes para atender razoavelmente seus passageiros. Resultado é a insatisfação frequente dos usuários com o serviço prestado. Situação não muito diferente da maioria das cidades brasileiras. Prato cheio para a triste ilusão de utilizar o veículo próprio como solução.
O município também sofre de um problema bastante comum nas capitais do norte e nordeste do país, a precariedade das vias urbanas em áreas um pouco mais afastadas dos grandes centros urbanos e comerciais. Não raramente se encontram ruas e avenidas com verdadeiras crateras que prejudicam o deslocamento de todos, não somente dos veículos motorizados. Um completo descaso público. As obras existentes – pelo menos aquelas visualizadas – estão relacionadas com a Copa do Mundo de 2014, contudo, elas não estão distribuídas nas periferias da cidade. Copa para quem mesmo?
Nossa visita principal estava destinada ao centro histórico da capital, mais precisamente ao Bairro Recife, também conhecido como Recife Antigo. O local nos remete ao século XVI quando um porto foi construído para escoar a produção, sobretudo, açucareira da região. Desde então o bairro se expandiu com a construção de casas, prédios e armazéns que propiciou todo um comércio em torno do porto, surgia a futura capital do estado. Os séculos passaram e a região sofreu constantes reformulações, principalmente com a presença dos holandeses, entretanto, na década de 1980 com a construção do Porto de Suape (entre Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho), o bairro de Recife passou a entrar em decadência, incluindo o conjunto arquitetônico que, felizmente, foi restaurado no começo do século XXI.
Atualmente um passeio pelo Recife Antigo nos proporciona esse contato mais próximo com o passado, seja através das ruas, casas antigas, prédios coloniais e todo um ambiente histórico de uma região que já foi habitada pelos índios tupis e também colonizada por portugueses e holandeses.
O destaque do centro histórico sem dúvida fica na Praça Rio Branco que além de concentrar os prédios antigos mais interessantes da região (Instituto Cultural do Bandepe; Associação Comercial de Pernambuco; Bolsa de Valores “Caixa Cultural”) também abriga o conhecido Marco Zero, instalado no final da década de 1930 pelo Automóvel Clube de Pernambuco. A denominação está relacionada ao ponto como referência para “todas as medidas oficiais de distâncias rodoviárias locais”.
Registro no Marco Zero. À esquerda Associação Comercial de Pernambuco e à direita antiga Bolsa de Valores.
Marco Zero.
Instituto Cultural do Bandepe
Instituto Cultural do Bandepe
Associação Comercial de Pernambuco.
Antiga Bolsa de Valores. Atualmente Centro Cultural da Caixa.
Centro de artesanato de Pernambuco
No Marco Zero é possível visualizar a famosa e grandiosa Coluna de Cristal, obra de Francisco Brennand. Essa e outras criações do artista são encontradas no Parque das Esculturas que fica em um dique natural com extensão de quatro quilômetros. Para chegar ao local, partindo da Praça Rio Branco, basta pegar um simples barco cuja passagem de ida e volta custa 5 reais por pessoa. Como existem várias embarcações, as saídas são frequentes e a travessia não leva cinco minutos.
Coluna de Cristal visualizada do Marco Zero.
Embarcações que fazem a travessia para o Parque das Esculturas.
Em direção ao Parque das Esculturas.
Camarada João Almeida. Marco Zero ao fundo.
Uma caminhada pelo Parque das Esculturas é interessante. Além das obras de arte é possível visualizar o mar aberto que o dique esconde do Marco Zero. Se você passar pelo local certamente deverá se deparar, também,  com vários pescadores, eles estão em todas as partes do parque que proporciona um panorama diferente dos prédios da Praça Rio Branco. Recomendo o passeio.
Dique no Parque das Esculturas.
Coluna de Cristal
Registro garantido.
Primeira vez que o anfitrião visitava o Parque das Esculturas.
A visão do mar sem fim.
Pescador solitário.
In foco.
Pescadores e suas tralhas no Parque das Esculturas.
Edifício Maurício de Nassau
Centro histórico visto do Parque das Esculturas.
Instituto Cultural do Bandepe, Associação Comercial e Bolsa de Valores.
Recife Antigo
Outro ângulo.
Região portuária do Recife Antigo.
In foco.
In foco.
Recife moderna.
Um registro com o camarada João Almeida.
De volta ao Marco Zero, a surpresa foi verificar a quantidade de ciclistas. O local funciona como um ponto de encontro e descanso para quem pedala. Acontece que aos domingos e feriados, algumas ruas e avenidas da capital tem uma faixa exclusiva para ciclistas. A ciclofaixa temporária leva uma multidão de pessoas a tirar suas bicicletas da garagem e coloca-las nas vias urbanas. Infelizmente essa medida acontece apenas nos dias mencionados, mas permite observar a quantidade de ciclistas existentes na cidade e que a utilização da bicicleta poderia ser mais bem considerada pelas autoridades públicas para começar a se pensar em realmente oferecer condições para um tráfego mais seguro aos ciclistas. E não me refiro somente à ciclovias e ciclofaixas, me remeto a toda uma educação no trânsito. Sem dúvida as medidas colocariam mais bicicletas e ciclistas nas ruas e diminuiria os congestionamentos corriqueiros da cidade.
Uma multidão de ciclistas no Marco Zero.
Espaço reservado aos ciclistas delimitado com cones.
Faixas reservadas aos ciclistas nos domingos e feriados.
Eles estão em todas as partes.
Uma imagem vale mais do que mil palavras.
Espaço para todas a tribos. Pedale você também.
De qualquer forma, é bonito ver tanta gente pedalando, são crianças, jovens, adultos e idosos. Não existe classe social definida entre os ciclistas. São pessoas de todas as tribos. Bicicletas de todos os tipos e valores. O que importa para eles, na minha concepção, é o movimento. Talvez essa prática esteja associada pelos governantes e até mesmo por muitos ciclistas como uma atividade apenas de lazer. Mas a bicicleta proporciona muito mais do que essas horas agradáveis. Esse simples instrumento pode e deve ser utilizado e pensado como meio de transporte cotidiano. Os benefícios particulares e coletivos são enormes.
Na Praça Rio Branco, o anfitrião ainda encontrou com alguns amigos e conhecidos, entre eles o Elves Emanuel que pedalava com a sua dobrável. Conversamos um pouco sobre a expedição, a cidade e sua mobilidade urbana, entre outros assuntos interessantes. Claro que não deixamos de registrar o momento. Grande abraço, camarada.
João Almeida, eu e Elves.
Na sequencia caminhamos por mais ruas do centro histórico que apresenta construções antigas, entre elas, algumas igrejas, muito bem preservadas e restauradas e outras em um estado totalmente contrário. Ainda bem que os prédios aparentemente abandonados são minoria.
Pelas ruas do centro histórico.
Construções antigas.
Construções antigas.
Alguns prédios em estado lamentável.
Torre Malakoff. Antigo observatório astronômico do século XIX.
Torre Malakoff também apresenta eventos culturais.
Construções antigas.
Pelas ruas do centro histórico.
Fica o alerta!
Centro histórico e suas diversas pontes.
In foco.
In foco.
In foco.
Antiga Santa Casa.
Igreja da Madre de Deus. Construída no século XVII
Pelas ruas do Bairro Recife.
Após uma caminhada pelo Recife Antigo, nos direcionamos à Praia da Boa Viagem. No caminho passamos pelo local onde o Frei Caneca foi executado. Fica praticamente ao lado do Forte das Cinco Pontas, uma construção da época da colonização holandesa.
Obelisco. Homenagem aos 350 anos da Restauração Pernambucana.
Local onde Frei Caneca foi executado.
Forte das Cinco Pontas.
Forte das Cinco Pontas.
Novamente em Boa Viagem, consegui, finalmente, registrar uma das praias mais conhecidas do Brasil. Indubitavelmente a beleza do local deixa qualquer turista admirado, contudo, a natureza não se faz ainda mais presente apenas na cor esverdeada da água ou a areia da praia repleta de coqueiros. Boa Viagem também é conhecida pela presença dos tubarões. E não é brincadeira. Aqui muitos banhistas e surfistas já foram atacados. Não à toa muitas placas são encontradas, na extensão da praia, advertindo sobre os cuidados a serem tomados. Fica a dica.
Praia da Boa Viagem.
Praia da Boa Viagem.
Praia da Boa Viagem.
Praia da Boa Viagem.
Praia da Boa Viagem.
Praia da Boa Viagem.
Praia da Boa Viagem.
Praia da Boa Viagem.
Praia da Boa Viagem.
Praia da Boa Viagem.
Área sujeita a ataque de tubarão. Simples assim.
Recomendações para não ser atacado.
In foco.
Apesar do perigo eminente do ataque de tubarões, algumas pessoas ainda se arriscam a tomar um banho de mar em Boa Viagem. Confesso que compreendo elas porque realmente é uma tentação cair na água, mas prefiro ter minhas duas pernas para poder seguir viagem, por isso, fiquei apenas do lado de fora da água observando o movimento, que por sua vez, era bastante grande, seja na praia ou no calçadão que além do espaço para caminhada, conta com uma ciclovia. Ambos os espaços estavam lotados de pessoas praticando exercícios ou somente curtindo a brisa do mar. Local bem agradável. Gostei.
Pegar uma onda? Desta vez estou fora!
Praia da Boa Viagem.
Ciclovia e calçadão na Praia da Boa Viagem.
Muito obrigado, camarada João Almeida, pela companhia e disposição para me apresentar a capital pernambucana.
Depois do passeio voltamos para casa e comecei a longa jornada para atualizar o diário de bordo.
08/07/2013 - 365° dia - Recife (Folga)
Dia dedicado exclusivamente à atualização do diário de bordo.
09/07/2013 - 366° dia - Recife (Folga)
Dia dedicado exclusivamente à atualização do diário de bordo.
Um ano na estrada.
Hoje a expedição está de aniversário. Há um ano eu começava a viagem que mudaria minha vida. Nestes doze meses cheguei a marca dos 16.725 km pedalados por 5 países e 11 estados brasileiros, contudo, não são os números que ficam marcados e sim uma infinidade de histórias, aventuras, aprendizados, pessoas, enfim, um estilo de vida que se renova a cada dia. Poderia muito bem fazer um longo discurso sobre esse momento, mas esse período todo já tem sido compartilhado com vocês. Então acredito que consigam entender e/ou imaginar a minha felicidade.
Não é fácil passar tanto tempo longe, os obstáculos existem a todo o momento, mas a determinação, paciência, apoio da família e amigos e a fé em Deus e na vida têm permitido o meu avanço para a concretização deste projeto que não deixa de ser a realização de um sonho e o começo de uma vida nova.
No período da noite, recebi mais um presente dos ciclistas da capital pernambucana. Desta vez o grupo Ferrugem Bike se reuniu e juntou uma vaquinha para colaborar com o restante da minha viagem. A contribuição atingiu quase cem reais. A ajuda não seria possível sem a participação do anfitrião João Almeida que entrou em contato com os membros do grupo. Obrigado a todos vocês. Tenham certeza que essa ajuda é muito bem-vinda e de extrema importância para sequencia da expedição.

José Alves, presidente do Ferrugem Bike, eu e João Almeida.
Registro com parte da galera do Ferrugem Bike.
Também não posso me esquecer de agradecer aos amigos do trabalho do João Almeida que não deixaram de colaborar financeiramente com a viagem. Valeu mesmo pessoal.
Por fim, quero deixar meu sincero agradecimento àqueles que vêm me acompanhando, ainda que à distância, durante esse um ano de viagem. O apoio de vocês tem sido fundamental para a realização da expedição. Muito obrigado por tudo.
10/07/2013 - 367° dia - Recife (Folga)
Dia dedicado exclusivamente à atualização do diário de bordo.
11/07/2013 - 368° dia - Recife (Folga)
Dia dedicado exclusivamente à atualização do site.
Finalmente terminei mais uma postagem.
Partiria amanhã em direção à Maceió no estado de Alagoas, mas vou aproveitar para descansar mais um dia na confortável residência do João Almeida onde estou sendo muito bem recebido por toda a família. Tenho me sentido em casa. Assim, seguirei viagem apenas no sábado com a companhia do anfitrião que vai pedalar um trecho comigo.
No final da próxima semana quero estar em Aracaju - Sergipe, onde provavelmente farei a próxima atualização. Amigos da capital sergipana, me aguardem.
No mais, sigo me recuperando da tosse. Não houve mais febre e dores musculares. Agora é questão de pouco tempo para restabelecer totalmente o organismo.
Para finalizar, coloco à disposição um vídeo sobre o Estado de Pernambuco para quem se interessar em conhecer melhor a região:

Grande abraço a todos.

“Hasta la Victoria Siempre”

14 comentários:

  1. E ae camarada, acabo de planejar um pedal do Rio de Janeiro Capital, onde moro, para Alto Paraíso do Goiás. Parto daqui no dia 14/07/13, e achar seu blog foi um grande incentivo!! Boa Sorte na sua Jornada, acompanharei você por aqui, e se quiser me acompanhar, meu diário de bordo é esse: http://izzytrip.blogspot.com

    Paz, rumo à liberdade! Sempre! Um abraço!

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    1. Buenas camarada.

      Bruno, fico feliz em saber que o site tem conseguido incentivar um número cada vez maior de pessoas que deixam o medo e todos os obstáculos de lado para colocar a bicicleta na estrada em direção à liberdade. Um dos objetivo de compartilhar todo esse conhecimento adquirido é justamente este, incentivar, mostrar que outro estilo de vida é possível. E o cicloturismo nos permite e ensina isso, uma vida renovada a cada dia. Portanto, espero que você tenha realizado com sucesso sua viagem entre Rio de Janeiro e Goiás. Não deixe de nos contar como foi essa experiência.

      Rumo à liberdade. Grande abraço.

      "Hasta la Victoria Siempre"

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  2. Grande Nelson!

    Meu camarada,cada vez mais perto de Aracaju/SE,jtem alguma previsão do dia que você estará chegando em Aracaju/SE. Já conversei com Fernando e vamos ter que queimar uma carne quando você estiver aqui.Nelson você vai entrar pela cidade de japaratuba,Barra dos coqueiros e Aracaju ou seguirá direto pela BR 101 até Aracaju?Cara uma diga para você, muito cuidado com a Br 101 logo que você entra no estado de Sergipe. Estão duplicando a pista e está muito perigosa, pouco acostamento,desvios e máquinas na pista. Passei por ela 3 semanas atrás. Nesse caso penso que seria melhor você Pegar Maceió,Praia do Francês,Barra de São Miguel,Praia do Gunga (tem um mirante muito legal para tira fotos),Coruripe,Feliz Deserto,Piaçabuçu que seria a divisa de Alagoas e Sergipe.Vale lembrar que essa estrada não é uma das melhores quando se falamos em acostamento,mas em relação a movimento de carros é bem menor.Chegando na divisa você pega um barquinho para fazer a travessia do rio São Francisco até a cidade de Brejo Grande/SE. (Quando fui a Maceió de Bike queriam me cobrar R$ 15,00 pela travessia mas no final da história paguei r$ 7,50.Por esse caminho você vai evitar um bom trecho da BR 101, onde depois você vai ser obrigado a entrar nela.Mais a frente você tem outra opção, você pode cortar ela novamente entrando na cidade de Japaratuba/SE, onde você vai pegar uma estrada tranquila mas quase sem acostamento, onde o mesmo só aparece na cidade de de Pirambú/SE, onde até Barra dos coqueiros e Aracajú a estrada está perfeita!Volto a repetir você tem a opção de continuar pela BR 101, o caminho se não me engano e até mais perto só que meu amigo você se sente muito pequeno no meio de tantas carretas e carros. Digo isso por experiência própria,mas vale lembrar que seria bom você ver outras opniões com o pessoal de maceió em relação ao caminho, fica a dica!
    Meu camarada te desejo uma viagem tranquila e que venha Aracaju! Quando você estiver próximo a cidade da Barra dos Coqueiros e for sexta feira dia 19/07 me ligue,pois nesse dia estou de folga e posso ficar te esperando na cidade da Barra do coqueiros para te mostrar o caminho até a casa de Sandra/Fernando. Meu número é o 079-88064640 ou 079-99692727,caso seja outro dia e se você chegar até às 15:00 posso te esperar também pois me trabalho só começa às 18:00.

    Grande Abraço e Hasta luego!

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    1. Buenas hermano.

      Grande Guylherme, dicas preciosas. Respondo esse comentário com certo atraso e depois de atualizar o tópico Brasil VI onde relato, entre outras coisas, que a sua sugestão mencionada acima foi levada em consideração e nos ajudou muito a chegar com segurança à capital sergipana, onde fui muitíssimo bem recebido por você e o camarada Fernando. Toda essa hospitalidade também está relatada no tópico em questão. Só tenho a agradecer pela enorme acolhida.

      Grande abraço.

      Hasta!

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  3. Boa Nelson,

    vou admitir aqui que meu maior medo, desde que comecei a acompanhar o diário era você ficar doente, pelo fato de estar sozinho. Por sorte parece que não é nada grave e espero que você se recupere e possa seguir nessa aventura sem mais sustos.

    Sigo acompanhando a viagem e desejo toda a sorte do mundo.
    Grande abraço,

    Vinicius Rodrigues

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    1. Buenas camarada.

      Grande Vinicius, apesar de, infelizmente, não me alimentar adequadamente (como gostaria) por inúmeros motivos, sempre procurei cuidar da minha saúde, tanto que apesar dos pesares o corpo se fortaleceu durante a própria viagem, resultado prático disso é que não tive nenhum resfriado no rigoroso inverno dos Andes. Mas as últimas semanas no nordeste brasileiro apresentou uma situação diferente, variação constante de temperatura, refeições cada vez mais limitadas e essa virose da moléstia que me deixou com essa tosse que foi difícil de passar pela falta de repouso. Mas hoje já estou bem, graças a Deus, e pronto para seguir viagem. Sem mais sustos.

      Grande abraço.

      Hasta.

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  4. Quando você chegar em Foz do Iguaçu vai poder dizer:"Mãe, cheguei! Fui dar uma voltinha de bicicleta." rs

    Gilberto Braz

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    1. Buenas Gilberto.

      Essa merece a conhecida "risada sacana", rs. Confesso que não vejo a hora de poder reencontrar a mãe e toda a família e os amigos que me esperam na Terra das Cataratas. Cada dia fico mais próximo do Sul do país. Agora faltam menos de 3 mil km para finalizar, com sucesso, a "voltinha" de bicicleta, rs.

      Obrigado pela visita ao diário de bordo.

      Grande abraço.

      Hasta!

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  5. E ae Nelsão, bom ver notícias suas meu amigo, fico sempre apreensivo, assim como o camarada Vinicius ali acima, justamente por viajar solito, mas graças a Deus sempre tem uma boa alma pra lhe ajudar e não raro estão sendo os milagres na sua viagem, até o atendimento num pronto socorro foi rápido, isso sim foi milagre em se tratando de Brasil, seria cômico se não fosse trágico, rs. Cara, me diga uma coisa, está com pressa de chegar em casa hominho?? como que não aproveita os encantos de Natal ou João Pessoa? tem que apanhar de vara de pessegueiro nessas pernas secas, rs, aproveite ao máximo meu jovem, pois outra viagem dessa acho que não acontecerá tão logo hein, procure não deixar nada para se arrepender depois, hehe. Outro puxão de orelha que sempre esqueço de aplicar: Como que você consegue deixar as câmaras de ar furadas meu amigo? regra nº 1 ao trocar uma câmara de ar: ao colocar a reserva, conserte a furada pra estar apta ao próximo reparo! Sinceramente toda vez que você relata que ao colocar a câmara reserva e constata que está furada, sinto vontade de te bater hominho, não aprende nunca, hahaha, sei que o cansaço é grande no fim do dia, mas apenas fazer o remendo não é tão trabalhoso assim, bem melhor que ter que fazer no meio da rua, não acha? Pense nisso, rs. No mais, a passagem por Recife me surpreendeu, tenho uma imagem bem feia dessa cidade, todos que conheço falam mal pacas (inclusive um amigo que mora lá), mas achei a parte histórica muito bonita. Ah, também achei que o tal do caranguejo não vale a pena o esforço, rs. Vai pedalando daí que ficamos torcendo pelo melhor daqui! Abraço meu amigo, e até o próximo capítulo, rs.

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    1. Buenas hermano.

      Pois é, camarada, milagres me acompanham, graças a Deus, essa do atendimento médico realmente foi surpreendente.

      Se estou com pressa? Oras, que pergunta, rs. Meu amigo, é muito tempo na estrada e a canseira é inevitável. Não me refiro ao desgaste físico que também existe, mas digo em relação à parte psicológica. O planejamento de uma viagem deste porte não é simples e eu estava ciente disso, mas fazê-lo durante um ano é extremamente árduo, programar onde chegar, dormir, o que comer, o que visitar, roteiro a seguir. e etc. Tudo isso exige muita dedicação, comprometimento para que o projeto seja realizado com sucesso. Isso tem sido feito, mas está longe de ser uma tarefa simples e tampouco fácil.

      Você que está acostumado a viajar, certamente deve se programar bem quando saí de férias, não? Essa tarefa nem sempre é fácil. Agora imagine estende-la por todo esse período (mais de um ano) acentua ainda mais a situação. Como deixei claro em uma postagem anterior, o nosso litoral é muito bonito e interessante, se eu fosse conhece-lo em sua totalidade eu voltaria para casa somente em 2014-15 e sinceramente não desejo isso, rs. Portanto, essa opção de selecionar alguns lugares se faz necessária, infelizmente localidades interessantes ficarão sem ser visitadas nesta expedição, mas ainda assim é bom porque sobra lugar para conhecer futuramente, hehe. É preciso pensar positivo. :)

      Sobre Natal, infelizmente estava chovendo muito durante a minha passagem por lá e foi quando a moléstia ficou ainda mais intensa. Paciência!

      Em relação às câmaras de ar, eu realmente tenho esse costume de não remendar na hora, contudo, sempre deixo uma reserva, o problema na ocasião mencionada é que a reserva que eu pensei estar em condições de uso, leia-se, remendada, também estava furada e aconteceu o que aconteceu, rs. Mas eu ainda aprendo a consertar devida e decentemente uma câmara furada. Risada Sacana.

      Sobre Recife, é um excelente lugar para visitar, desde que você não entre nas águas da bonita Praia de Boa Viagem. Certamente você deve ter visto o resultado, recente, da imprudência de mergulhar em um território marcado por tubarões. Mas a capital pernambucana é muito mais do que a praia em questão. Recomendo.

      Grande abraço, hermano.

      Hasta luego.

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  6. Olá Nelson, coordeno aqui em Salvador, a Comunidade Amigos de Bike, e comei conhecimento do seu projeto através do Robert Ayres e do zedequias pereira pelo facebook. Caso precise, posso te oferecer hospedagem aqui em Salvador, modestamente, mas confortável. Vamos nos reunir e te receber com todo o carinho e ávidos pelos "causos" que irás contar para nós!
    Lucia Saraiva - www.amigosdebike.com.br

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    1. Buenas Lucia.

      Respondo esse comentário depois de ter contacta-la pela internet, para agradecer e aceitar a hospitalidade oferecida na capital baiana. Em pouco dias devo chegar à histórica Salvador onde quero conhecê-los para trocar idéias, histórias e muitas risadas. Tenho certeza que será mais um encontro engrandecedor.

      Grande abraço.

      Hasta luego.

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  7. Querido Nelson,

    Gostei os mensagems de nosso dias juntos,um dia eu vou pasar a sua casa com minha magrella,

    saudades,por meu amigo

    o Holandes

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    1. Buenas hermano.

      Muito bom ter notícias suas. Espero que a volta para a Holanda tenha ocorrido da melhor forma possível. Fico feliz em saber que tenha gostado da atualização do diário de bordo com a sua ilustre presença, claro que não poderia deixar de escrever sobre a sua pessoa. Aproveito a oportunidade para agradece-lo, mais uma vez, pela companhia durante a pedalada. Aguardo você e sua família em Foz do Iguaçu.

      Grande abraço, holandês.

      Hasta luego..

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